O ministro da Saúde manifestou-se esta sexta-feira a favor da canábis para fins terapêuticos, desde que bem regulada e com enquadramento rigoroso.

Em entrevista hoje à Antena 1, Adalberto Campos Fernandes entende que vai ser possível introduzir com rigor a canábis como opção terapêutica agora que os diplomas do Bloco de Esquerda e do PAN vão ser debatidos na comissão parlamentar de Saúde.

Um dia depois de o assunto ter sido debatido no Parlamento, o ministro disse que concorda a utilização da canábis para fins terapêuticos, mas não com a sua forma fumada, indo assim ao encontro da posição da Ordem dos Médicos.

Concordo em termos que seja regulada pela Autoridade Nacional do Medicamento, com enquadramento científico rigoroso e com sistemas de farmacovigilância muito potentes”, afirmou.

Na quinta-feira, os projetos de lei do BE e do PAN para a utilização terapêutica da canábis baixaram, sem votação, à comissão parlamentar de saúde.

A Ordem dos Médicos reconheceu já que existe forte evidência da eficácia da canábis nalguns usos terapêuticos, mas avisa que a sua prescrição deve ser exclusivamente médica, enquanto medicamento e não na forma fumada.

Um parecer do Conselho Nacional da Política do Medicamento da Ordem dos Médicos, permite considerar a potencial utilização da canábis nalguns casos, como no alívio da dor crónica em adultos, como anti-vómito no tratamento do cancro, na esclerose múltipla ou no controlo da ansiedade.

O parecer indica, contudo, que o uso de canábis ou canabinoides como medicamento de uso humano deve ser sujeita a aprovação pelas entidades regulamentares em saúde”, como a Autoridade Nacional ou Europeia do Medicamento.

Além disso, a Ordem dos Médicos avisa que, pela sua potencial toxicidade, a prescrição da canábis deve ser exclusivamente médica e com regulamentação específica, como é feito com os derivados de morfina, por exemplo.

Também esta sexta-feira a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, disse que concorda com o uso de canábis para fins terapêuticos. Em entrevista à TSF, esta sexta-feira, a responsável disse que não tem qualquer objeção quando está em causa o bem-estar e o conforto dos pacientes.