O número de médicos por mil habitantes em Portugal aumentou de 3,2 para 4,2 numa década, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), que analisou os últimos 10 anos para fazer um retrato da saúde em Portugal, a propósito do Dia Mundial da Saúde, que se assinala na segunda-feira.

O aumento de clínicos inscritos na Ordem dos Médicos teve, entre 2002 e 2012, um saldo positivo de 10 mil profissionais. O INE regista igualmente um aumento contínuo dos enfermeiros, mais 23 mil neste período. O rácio de enfermeiros por mil habitantes passou de quatro em 2002 para 6,2 em 2012.

O número de enfermeiros nos hospitais públicos «registou um claro reforço», refere o boletim do INE, enquanto nas unidades privadas se verificou uma estabilização. Mais de 90% dos enfermeiros em Portugal estavam, em 2012, afetos aos hospitais públicos.

Este é um dos poucos indicadores que não denota uma transferência dos hospitais públicos para os privados (leia aqui ).

Ela aconteceu também nos exames complementares de diagnóstico. A partir de 2011 os privados reforçaram o seu papel na realização destes exames: em 2002 realizavam 1,1% do total e em 2012 já representavam quase oito por cento.

O número de consultas médicas nos hospitais portugueses cresceu de resto quase 70% em 10 anos, uma tendência comum a unidades públicas e privadas, mas mais marcada nos hospitais particulares.

Na década analisada, as consultas externas nos hospitais foram registando aumentos sucessivos: mais de nove milhões em 2002, mais de 13 milhões em 2007, 15 milhões em 2008 e mais de 16 milhões a partir de 2011.

A tendência de aumento das consultas é comum tanto aos hospitais da esfera estatal como aos privados, diz o INE. Cerca de sete em cada 10 consultas externas são realizadas pelos hospitais oficias, mas tem aumentado a percentagem de consultas nas unidades privadas em relação ao total.

Em 2002, os privados asseguravam 16,5% de todas as consultas e, dez anos mais tarde, passaram a ser responsáveis por 27,7%.

No último ano analisado pelo INE, 2012, as especialidades de oftalmologia, ginecologia-obstetrícia e cirurgia geral eram as que registavam maior número de consultas nos públicos. Nos privados, lideravam a ortopedia e a oftalmologia.

Tal como as consultas, também o número de grandes e médias cirurgias cresceu de forma contínua entre 2002 e 2010, registando apenas uma diminuição em 2011 e 2012. Situação idêntica viveu a área dos meios complementares de diagnóstico, com uma redução dos atos nos últimos dois anos analisados.