Os doentes de hepatite C que tiveram acesso à nova medicação não manifestam, ao fim de apenas um mês, sintomas da doença.

Os tratamentos mostram resultados positivos, mas só ao fim de seis meses com carga viral negativa é que se podem considerar curados. Ainda assim, é um alívio muito grande, para mais, sem os efeitos secundários violentos dos tratamentos anteriores. É uma «medicina da felicidade» descreve o médico Rui Tato Marinho, do Hospital de Santa Maria, ao «Diário de Notícias».

Segundo os dados do Infarmed enviados ao DN e, passado um mês do acordo assinado entre o ministério da Saúde e o laboratório, 1133 doentes com hepatite C já receberam os medicamentos do laboratório Gilead. Os dois medicamentos – Sofosbuvir e Ledispavir - têm taxas de cura média de 95 por cento e, de acordo com os depoimentos recolhidos pelo jornal, 15 dias bastaram para melhorar a qualidade de vida destes pacientes.

O processo burocrático de acesso destes doentes ao medicamento também está a fluir. A Comissão de Farmácia e Terapêutica é que dá autorização direta aos pedidos dos médicos. Têm cinco dias para decidir, mas, segundo Rui Tato Marinho, que também é presidente da secção de hepatologia da Ordem dos Médicos, «tem pedidos aprovados em duas horas».

Desde o início do ano, o Infarmed deu autorização a 1400 doentes com hepatite C para receberem a medicação cujo preço elevado esteve na origem da polémica.

A norma que define que medicamentos devem tomar os doentes só estará pronta no final do mês, ou seja, nessa norma é que ficará definido que medicamentos devem tomar os doentes de acordo com as suas patologias, mas «sem estabelecer tabelas de prioridades», escreve o jornal.

Por enquanto, os primeiros doentes que estão a ser tratados são os que têm cirrose, num total de 13015 doentes registados com hepatite C, de acordo com o levantamento feito no ano passado pelo Infarmed. Quarenta e quatro daqueles que receberam o medicamento inovador consideram-se curados.