As crianças que foram alimentadas com leite materno têm mais facilidade em combater o excesso de peso e são mais desenvolvidas na fala, nas emoções e na cognição.

Estas são algumas das conclusões de dois estudos de universidades internacionais que foram alvo de debate no último simpósio Internacional de Aleitamento Materno, que se realiza todos os anos.

O encontro que se realizou no passado fim de semana em Berlim tendo reunido mais de 400 especialistas desta área esteve centrado na discussão de três eixos: os componentes únicos e diferenciais do leite materno, a sua importância nos bebés prematuros e os resultados recentes de estudos de investigação básica realizados sobre o leite materno.

Um dos estudos em destaque no debate foi realizado pela Universidade da Austrália Ocidental, em Perth. Esta investigação conclui que no leite materno há duas hormonas (a grelina e a leptina) que têm efeitos na idade adulta, nomeadamente na proteção de infeções, redução de doenças crónicas e na maior eficácia no combate ao excesso de peso. Segundo a professora responsável pelo estudo, Donna Geddes, estas hormonas são responsáveis, desde o primeiro momento, por regular a fome e a saciedade, além de contribuir para o crescimento do bebé.

Já a Universidade de Brown, nos Estados Unidos, demostrou os benefícios do leite materno no desenvolvimento cerebral. Nas crianças alimentadas com leite materno há um maior crescimento das áreas relacionadas com a fala, as emoções e a cognição. Sean Deoni, investigador desta universidade, analisou 133 bebés entre os 10 meses e os quatro nascidos no final do tempo e crianças entre os dez meses e os quatro anos.

As crianças foram divididas em grupos alimentados exclusivamente com leite materno, com leite materno e leite de fórmula, e um último grupo que apenas ingeriu leite de fórmula. Nas crianças alimentadas com leite materno ficou comprovada a existência de um maior crescimento em algumas áreas do cérebro.