Nos primeiros oito meses do ano registaram-se em Portugal 218 dadores de órgãos, o maior número dos últimos cinco anos, e 521 transplantes, revelou esta sexta-feira a coordenadora nacional da transplantação, Ana França.

Este aumento de dadores cadáveres (mais 14 do que no mesmo período do ano passado) é acompanhada por uma ligeira diminuição, de 24% para 22%, de casos em que a morte é traumática, o que significa que as causas são mais médicas (78%).

Segundo a responsável, resulta daqui que a grande maioria dos dadores morre envelhecido ou doente, ou ambas, comprometendo muitas vezes a saúde dos órgãos a doar.

Quanto aos 521 transplantes realizados, dizem respeito a órgãos provenientes de todo o tipo de dadores - em morte cerebral, sequencial e vivo – sendo que 160 foram transplantes hepáticos e 34 cardíacos, o que traduz um crescimento destes transplantes para níveis superiores aos últimos quatro anos.

Os restantes transplantes realizados foram de rins (305), de pulmões (9) e de pâncreas (13).

Ana França revelou ainda que se registaram 20,9 dadores em morte cerebral, até agosto de 2015, por milhão de habitantes.

“Se conseguirmos manter esta atividade, conseguiremos atingir os 31,4 dadores por milhão de habitante”, acrescentou.

A maior lista de espera para transplantação de órgãos de dador vivo diz respeito ao rim.

Até julho deste ano realizaram-se 37 transplantes de rim de dador vivo, um de fígado de dador vivo e oito de fígado de dador sequencial.

Segundo a coordenadora, no final do ano passado, havia uma lista de espera de 2.216 para órgãos, dos quais 81 morreram à espera.

Só para rim, a lista de espera ascendia aos 1.970, 43 dos quais acabaram por morrer.

Os objetivos do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST) são diminuir as listas de espera e aumentar as oportunidades de transplante, designadamente de dadores vivos, em que “o país ainda está muito atrás”.

Em Holanda, por exemplo, mais de 50% dos transplantes de rins são de dadores vivos.

Ana França disse mesmo que Portugal está a “estudar a possibilidade da doação cruzada com Espanha”, já que a lei o permite, sendo contudo necessário criar normas em relação aos procedimentos e o consentimento informado.

“A doação renal cruzada é mais uma forma de tentar aumentar a doação em vida”, sublinhou Hélder Trindade, presidente do IPST.

Ana França anunciou ainda que se vai iniciar em novembro a fase piloto do Registo Português de Transplantação e que serão desenvolvidos acordos com as sociedades científicas, Ordem dos Médicos e Direção-Geral da Saúde.