O novo hospital privado que será construído em Alcântara, Lisboa, num terreno onde existe um edifício com serviços municipais que terá de ser demolido, deverá abrir ao público em 2018, informou hoje a José de Mello Saúde.

Na reunião camarária de hoje, o executivo municipal (de maioria PS) aprovou, com os votos contra do PSD (à exceção da vereadora Teresa Leal Coelho), do PCP e do CDS-PP, o Pedido de Informação Prévia (PIP) relativo à construção de um novo edifício que será, contudo, condicionado.

O terreno em causa, localizado na Avenida 24 de Julho e conhecido como «triângulo dourado», tem uma área de 20.763,48 metros quadrados e a sua alienação foi aprovada por maioria, em dezembro, pela Assembleia Municipal.

A José de Mello Saúde, grupo privado do setor e detentor dos hospitais e das clínicas CUF, foi o único a apresentar uma proposta na hasta pública que decorreu no final de janeiro, tendo adquirido o terreno por 20.350.001 euros, um euro acima do valor base estipulado pela Câmara de Lisboa.

Em comunicado, a José de Mello Saúde informa que este novo hospital «vai dispor de 200 camas e todas as especialidades médicas e cirúrgicas», representando um investimento de 100 milhões de euros.

A empresa acrescenta que a construção só se iniciará após a obtenção do necessário licenciamento camarário.

Após a abertura da nova unidade, «o Hospital CUF Infante Santo será deslocalizado para este novo espaço», refere a entidade.

Citado no comunicado, o presidente do conselho de administração da José de Mello Saúde, Salvador de Mello, defende que este investimento «será gerador de emprego qualificado, permitindo oferecer condições de excelência para a prática clínica, para a formação médica e para a investigação em saúde».

De acordo com a proposta relativa ao PIP e assinada pelo vereador do Urbanismo do município, Manuel Salgado, o novo edifício será composto por seis pisos e outros três pisos em cave, tendo 34.998,95 metros quadrados de superfície de pavimento.

O local em causa é abrangido pelo Plano de Urbanização de Alcântara (PUA), aprovado em Assembleia Municipal no início de dezembro, pelo que a construção está condicionada à sua entrada em vigor.

Está também limitada a outros fatores, como a criação de uma unidade de execução, a apresentação de um estudo de impacto de tráfego, a criação de um estacionamento público no interior do lote, como previsto no PUA, e de um estudo hidrogeológico.

Numa reunião da Assembleia Municipal realizada no final de janeiro, o vice-presidente da autarquia, Fernando Medina, disse que esta é a «primeira oportunidade de fundo que a Câmara tem numa importante zona da cidade, que há décadas anseia por reabilitação».

Os partidos da oposição na Câmara de Lisboa contestaram a construção. O vereador do PSD António Prôa defendeu hoje que o terreno foi vendido numa «hasta pública à medida». «Não há aqui aparentemente nenhuma ilegalidade, mas há um conjunto de coincidências que nos levam a ter reservas», argumentou. 

O social-democrata sublinhou que o pedido hoje aprovado é «um PIP faz de conta» pois «o verdadeiro compromisso dá-se no momento que o grupo entende que a Câmara está disponível para construir ali o hospital, senão não tinha comprado o terreno». 

Já o comunista Carlos Moura recordou que o PIP foi submetido à Câmara pelo grupo José de Mello Saúde a 17 de maio de 2013, situação que é «muito desagradável e levanta dúvidas», já que a venda do terreno só se concretizou passados quase dois anos. 

A questão dos mais de 300 trabalhadores que ali estão também «ainda não foi resolvida e dizem [a Câmara] que têm um ano a partir da assinatura da escritura para arranjar uma solução», apontou Carlos Moura.