Os hospitais privados já representam um quarto das camas em Portugal. Mas há mais números a comprovar o crescimento destas unidades, mesmo em tempo de crise económica: 28% das consultas externas e 12% das urgências são realizadas em hospitais da rede privada.

São cada vez mais os hospitais privados em Portugal e o trabalho nestas unidades também tem vindo a aumentar.

Este ano, apesar da crise, as unidades de saúde privadas estão a crescer mais do que é habitual: «entre 15 a 20%», de acordo com a associação portuguesa da hospitalização privada. Em declarações à TVI, Artur Osório, presidente da associação disse que este aumento não se deve apenas à falência do Serviço Nacional de Saúde.

Segundo os últimos dados do instituto nacional de estatística, em 2012 os privados tinham quase 10 mil camas, uma oferta que corresponde a mais de um quarto da disponibilidade de internamento hospitalar do país.

Com mais de 25 mil colaboradores, as 105 unidades de saúde privadas são responsáveis, anualmente, por 5,5 milhões de consultas e 160 mil cirurgias.

Em abril, num balanço sobre o período 2002 a 2012, a partir de um inquérito aos hospitais, o instituto nacional de estatística concluía que, numa década, as unidades oficiais tinham perdido cerca de três mil camas, enquanto as privadas passaram a ter mais 1400.

O INE constatou ainda que o número de hospitais privados cresceu neste período (de 94 para 104), enquanto os hospitais tutelados pelo estado se mantiveram.

O crescimento do sector privado deve-se à abertura de hospitais de grande dimensão, pertencentes aos maiores grupos económicos.

Em dez anos, os atendimentos em urgência praticamente duplicaram, passando de 420 mil, em 2002, para mais de 800 mil, em 2012.

Nos mesmos dez anos o instituto constatou um dado surpreendente: a diminuição abrupta no total de análises clínicas e exames registada nos hospitais públicos - menos cerca de 44 milhões, uma quebra na ordem dos 27%. Em simultâneo, as unidades privadas aumentaram substancialmente a atividade nestas duas áreas.