O secretário de Estado Adjunto e da Saúde reconheceu, esta segunda-feira, que os presos não têm tido o mesmo acesso que o resto da população aos tratamentos contra a hepatite C, uma situação que conta inverter com protocolos de cooperação assinados, esta segunda-feira.

Fernando Araújo, secretário de Estado ajunto e da Saúde, falava aos jornalistas no final de uma visita ao Hospital Prisional São João de Deus, em Caxias, para acompanhar as condições de aplicação de um despacho conjunto que visa melhorar o acesso da população reclusa, jovem e adulta, ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) em condições de igualdade dos demais cidadãos.

Acompanhado pela secretária de Estado Adjunta e da Justiça, Fernando Araújo visitou alguns doentes internados nesta unidade de saúde da responsabilidade do Ministério da Justiça, um dos quais aproveitou a ocasião para agradecer aos profissionais de saúde por lhe terem salvado a vida.

Cheguei aqui e estava a morrer. Eles salvaram-me”, disse José emocionado, na véspera de ser um homem livre. Por essa razão, e por deixar de ser um recluso a partir de terça-feira, vai ser transferido para o Hospital de Cascais, onde acabará o tratamento.

Chegou ao Hospital de Caxias muito doente, pois apanhou uma infeção hospitalar numa unidade de saúde onde estava a ser tratado a uma infeção respiratória.

Outro recluso, João, a cumprir uma pena de nove meses de prisão por conduzir com carta de condução ilegal, esteve internado em Caxias três semanas, durante as quais melhorou, o que o leva a ser grato, principalmente pela atenção que lhes prestaram os profissionais de saúde.

No final desta visita, Fernando Araújo afirmou que a população reclusa “nem sempre tem tido as mesmas igualdades” de acesso, apesar dos seus “problemas específicos, como ao nível da saúde mental, infeções víricas, entre outras, e nos quais compete à Saúde, em articulação com a Justiça, encontrar soluções adequadas”.

De acordo com os protocolos hoje assinados, os profissionais de saúde dos hospitais de referência das prisões irão deslocar-se a estas instituições para administrar os tratamentos, nomeadamente ao nível das infeções víricas.

A população reclusa é um dos focos da estratégia contra a hepatite C que através dos tratamentos inovadores está a conseguir taxas de cura na ordem dos 96%.

É tempo de olhar para as populações que não têm tido este tipo de tratamento – toxicodependentes, reclusos e migrantes”, adiantou.

A estimativa do governo é que existem 1.500 reclusos a necessitarem destes tratamentos.

Queremos que esta população não esteja esquecida”, disse Fernando Araújo.

Para a secretária de Estado Adjunta e da Justiça, Helena Mesquita Ribeiro, esta desigualdade no acesso aos tratamentos aconteceu porque “não se uniram os esforços, nem se conjugaram as vontades que os ministérios da Saúde e da Justiça decidiram agora encetar”.

É uma questão de humanidade para com estas pessoas e de responsabilidade pelo que é a missão do Estado de garantir saúde pública para todos e também para a população reclusa”, disse aos jornalistas.