O Popeye pode fazer parte da história dos desenhos animados, mas a mensagem que passava é cada vez mais atual, à medida que os consumidores vão tomando conhecimento dos poderes dos alimentos e daquilo que faz bem à saúde. O marinheiro herói que comia espinafres para ficar mais forte podia ter nascido hoje.
 
Num certo regresso às origens e aos produtos naturais, Alexandra Vasconcelos, especialista em medicina biológica e antienvelhecimento, defende o consumo de vegetais de época. “É bom que comecemos a escolher e a optar mais por vegetais de época, porque a possibilidade de terem adubos, químicos ou fertilizantes é menor. E, além disso, são mais baratos”.

No Diário da Manhã, esta quinta-feira, na TVI, a especialista exorta também a escolha dos alimentos por um critério de “proximidade”, para evitar os “processos” a que são submetidos os alimentos vindos de outros países e que depois aparecem “bonitos no supermercado”.
 
Seguir a lei da natureza é, no fundo, o caminho. “A natureza é muito sábia”, diz Alexandra Vasconcelos, explicando que, nos vegetais desta época, “o ciclo de crescimento está adaptado a estas temperaturas e a estas condições de humidade” e, assim, “vêm com um conteúdo nutricional muito maior porque [também] têm uma facilidade de captar os nutrientes do solo muito maior”. Muitos são ricos em vitamina C, tão importante nesta época de gripes e constipações.

Foto: Michelle Obama a plantar espinafres,
de forma a sensibilizar para a importância de comer
vegetais, legumes e frutas (Reuters)


A especialista em medicina biológica destaca, nomeadamente, as “crucíferas”, ou seja, “vegetais que nascem em cruz. São uma família muito grande: couve portuguesa, brócolos, espinafres”.
 
“Esta família tem uma grande importância. Tem um conteúdo mineral muito interessante, tem muito cálcio, especialmente nos caules. Aconselho sempre a não desperdiçar os caules. Cortar fininho e aproveitar. Por outro lado, o cálcio existente [nos caules] tem uma boa relação com o magnésio, e esta boa relação é importante para que o cálcio seja absorvido pelo osso”, explica Alexandra Vasconcelos.
 
As vantagens não se ficam por aqui: estes vegetais “têm uma boa quantidade de enxofre. O enxofre, através de um processo enzimático, é transformado numa substância que é comprovadamente anticancerígena, porque consegue modelar alguma alteração no ADN de células potencialmente cancerígenas. Isto é fundamental e está provado, principalmente, nos cancros da mama, do útero, da próstata”, ou seja, naqueles “que têm alguma dependência hormonal”.
 
Para que isso aconteça, é “preciso que a tal enzima não seja destruída. Não cozinhar os legumes a altas temperaturas, sem cozer e voltar a cozer, e sopa fervida não sei quantas vezes”. O tempo de cozedura do legume depende do seu tamanho, mas uma boa sugestão é o seu consumo cru.
 
Cozinhado, a vapor ou cru (por exemplo, nos chamados batidos detox), há uma regra de ouro: que estejam “bem cortados”, porque a “libertação dos compostos” faz-se “por mastigação ou trituração”.