Há mais 3.800 profissionais no Serviço Nacional de Saúde (SNS) no último ano, segundo dados do ministro da Saúde, que considera histórico o número de colocações de trabalhadores de saúde.

Na comissão parlamentar de saúde, Adalberto Campos Fernandes disse que de setembro do ano passado para setembro deste ano há mais 3.861 pessoas a trabalhar no SNS. Destes profissionais, cerca de mil são médicos e 1.600 são enfermeiros.

Acresce ainda a entrada de mais de dois mil clínicos que concluíram o internato.

Estamos historicamente perante o maior número de colocação de médicos e de outros profissionais", declarou o ministro da Saúde.

O Ministério da Saúde diz ainda que entraram recentemente cerca de 450 médicos especialistas hospitalares, incluindo vários clínicos há muito fora do SNS. Foi ainda dada autorização para o regresso de cerca de 100 clínicos que se encontravam aposentados.

Quanto ao impacto financeiro da passagem para as 35 horas de trabalho semanais no setor da saúde, Adalberto Campos Fernandes adiantou que as contas de Julho e Agosto mostram variações de 2,8 milhões de euros, quando as "estimativas mais prudentes" apontavam para acréscimos de 19 milhões de euros num semestre.

 

Ministro quer reduzir em 90% profissionais contratados a empresas

O ministro da Saúde comprometeu-se a tornar residual o recurso a prestações de serviço para suprir a falta de médicos nos hospitais, mas adiantou que é uma medida que não pode ser tomada de um dia para o outro, para evitar prejudicar os utentes.

Os profissionais contratados a empresas pelo Serviço Nacional de Saúde equivalem a 1.260 médicos a trabalhar a 40 horas semanais, uma realidade que o Ministério da Saúde pretende reduzir em 90% até final da legislatura.

Neste momento, os profissionais contratados a empresas de prestação de serviço fazem um trabalho que equivaleria a cerca de 1.260 médicos. Até ao final da legislatura, o Ministério pretende conseguir alcançar 10% deste valor.

A partir do próximo ano, e com o número de contratações, iremos tornar o recurso às empresas absolutamente marginal, que é aquilo que ele deve ser", afirmou o ministro Adalberto Campos Fernandes aos deputados da comissão parlamentar de Saúde.

Na comissão parlamentar, o CDS questionou, ainda, o ministro sobre o aumento de colonoscopias e mamografias que foi prometido pelo Ministério.

Adalberto Campos Fernandes adiantou que o Ministério está a contratualizar a realização desses exames com entidades públicas e do setor social.

"Está bem encaminhado. Em 2016 vamos poder fazer mais e mais barato", declarou.

 

Mais de 10.000 novos computadores a partir desta semana

Adalberto Campos Fernandes anunciou, também, que mais de 10 mil novos computadores vão começar a ser distribuídos a partir desta semana no Serviço Nacional de Saúde, sobretudo na área de Lisboa e Vale do Tejo.

O ministro disse que vai ser feito um reforço intensivo de meios informáticos nos cuidados de saúde primários, não apenas com novos equipamentos, mas também ao nível das redes de comunicações.

Os problemas informáticos são muitas vezes apontados por médicos e doentes como entraves à prestação completa de cuidados, sobretudo num momento em que já 90% das unidades do SNS usam a receita médica sem papel.

O ministro da Saúde lembrou que os últimos anos foram de interrupção de investimento e que é necessário começar a olhar para as necessidades de reposição de investimento, nomeadamente na área tecnológica, calculando que seriam necessários 800 milhões de euros para repor todas as necessidades.

Adalberto Campos Fernandes sublinhou que a prioridade do Ministério para 2016 foi o reforço e a consolidação dos profissionais e dos recursos humanos, mas "num quadro de responsabilidade orçamental".