O secretário de Estado Adjunto da Saúde, Fernando Araújo, afirmou esta sexta-feira que a espera nas urgências no pico da gripe foi este ano mais reduzida, um resultado atribuído aos profissionais pelo bastonário dos médicos que reitera a falta de recursos.

O governante e outros representantes da Saúde reuniram-se esta segunda-feira em Bragança para discutir problemas do setor, nomeadamente no Interior de Portugal e visitar alguns equipamentos locais.

O secretário de Estado mostrou-se “extremamente bem impressionado” com o que viu no hospital de Bragança, sem macas nos corredores das urgências, e aproveitou para realçar que a resposta nacional dada este ano aos habituais picos de afluência às urgências.

Este inverno, ao contrário de outros no passado, em termos de resposta de tempos nas urgências (…), tivemos realmente respostas com muita qualidade e com tempos de resposta em termos de acessibilidade mais reduzidos do que em anos anteriores”, declarou.

O governante atribuiu esta resposta aos planos locais de reforço, nomeadamente de profissionais, que, afiançou, continuarão ativos para eventuais novos picos na procura ainda durante este inverno.

Já para o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, este resultado deve-se ao esforço dos profissionais de saúde que “estão a fazer mais trabalho do que aquele que deviam”.

O bastonário reiterou que faltam no Serviço Nacional de Saúde (SNS) “entre quatro a cinco mil médicos, para além de cerca de 30 mil enfermeiros” e voltou a acusar o Ministério das Finanças de estar a “bloquear” a contratação de novos especialistas por ainda não terem avançado os concursos prometidos pelo Governo.

O secretário de Estado foi ainda confrontado com as listas de espera superiores a 180 dias, nomeadamente na região de Bragança em especialidades como Medicina Física e de Reabilitação.

Fernando Araújo reconheceu que, por vezes, existem lacunas “num ou noutro local” e “numa ou noutra especialidade”, acrescentando que o Governo está “fortemente empenhado em reduzir isso”.

Uma das medidas que referiu é “o recrutamento e seleção, num concurso, para cerca de 500 novos médicos especialistas para reforçar os quadros dos hospitais em todo o país”.

“Neste momento estamos a trabalhar com as Finanças de modo que esse concurso seja uma realidade muita próxima”, afirmou.

O governante referiu ainda os investimentos que estão a ser feitos para melhorar condições, nomeadamente as obras, orçadas em cerca de “3,5 milhões de euros”, no hospital de Bragança.