O ministro da Saúde voltou a atribuir motivos políticos à greve dos médicos convocada pela Federação Nacional dos Médicos, para terça-feira e quarta-feira, alegando que «as reivindicações foram atendidas».

Para Paulo Macedo, a paralisação «não tem motivos laborais concretos», mas antes «um conjunto de razões difusas de ordem política».

O ministro, que falava à imprensa, em Lisboa, disse que «as reivindicações foram atendidas e negociadas», acrescentando que, ao abrigo do acordo em vigor entre tutela e sindicatos, «houve um conjunto de benefícios concretos para os médicos».

O titular da pasta da saúde participou esta quinta-feira no encerramento de uma reunião de peritos sobre a modernização da educação dos profissionais do setor, uma iniciativa promovida pela Organização Mundial de Saúde, a convite de um jovem médico português.

A Federação Nacional dos Médicos alega que o Ministério da Saúde não cumpre o acordo a que chegou com as estruturas sindicais e representativas dos médicos.

Solidária com o protesto dos clínicos, a Ordem dos Médicos convidou, na terça-feira, os doentes a juntarem-se na próxima semana numa concentração em frente ao Ministério da Saúde.

Para o primeiro dia de greve está agendada uma concentração à porta do ministério.

Confrontado ainda com o estudo, divulgado esta quinta-feira pela Secção Regional do Sul da Ordem dos Enfermeiros, que aponta uma carência de 700 enfermeiros nas unidades de cuidados na comunidade, o ministro reconheceu que «há necessidades», mas que também «há prioridades».

«Se é mais prioritário esses 700 enfermeiros, se é esse o número, no sul, se é outro tipo de contratações nos IPO [Institutos de Oncologia], se são contratações de médicos de família», assinalou.