A greve de enfermeiros da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA) registou hoje de manhã uma adesão de 64%, com valências a funcionar com serviços mínimos de enfermagem, como o bloco operatório, segundo o sindicato.

"A taxa de adesão foi de 64% no turno da manhã", disse à agência Lusa o coordenador da Direção Regional do Alentejo e dirigente nacional do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), Edgar Santos.

Segundo o sindicalista, várias valências da ULSBA registaram uma adesão à greve de 100% e, por isso, funcionaram com serviços mínimos de enfermagem, como o bloco operatório do hospital de Beja, onde apenas funcionou a sala de cirurgias de urgência.

As urgências, as medicinas 1 e 2, o internamento de psiquiatria e a unidade de AVC foram outros serviços do hospital de Beja em que a adesão dos enfermeiros foi de 100% e, por isso, também funcionaram com serviços mínimos de enfermagem.

O sindicalista disse que, na quinta-feira, véspera da greve, o conselho de administração da ULSBA, "alegando que não havia cirurgias programadas para hoje" no hospital, alterou o horário e "obrigou" um grupo de enfermeiros do bloco operatório a gozar folga hoje, o que "a legislação não permite", havendo um pré-aviso de greve, e escalou apenas enfermeiros para a sala de cirurgias de urgência.

No entanto, referiu, "houve uma boa resposta e uma adesão de 100%" dos enfermeiros escalados para a sala de cirurgias de urgência, que está a funcionar com serviços mínimos de enfermagem.

"Fiquei admirado por não haver cirurgias programadas para hoje no hospital de Beja", porque "há listas enormes de doentes à espera de serem operados", disse Edgar Santos.

O SEP já protestou e exigiu a reposição do horário de hoje dos enfermeiros do bloco operatório junto da administração da ULSBA, porque "não pode alterar o horário depois de haver um pré-aviso de greve".

A greve de hoje de enfermeiros da ULSBA, durante os turnos da manhã e da tarde, entre as 08:00 e as 00:00, foi convocada pelo SEP para reivindicar o horário de trabalho de 35 horas semanais para os enfermeiros com contrato individual de trabalho.

Em causa está a "discriminação negativa" por parte do Ministério da Saúde e do conselho de administração da ULSBA, que "teimam" em manter o horário de trabalho de 40 horas semanais para os enfermeiros com contrato individual de trabalho, disse.

Na ULSBA, só os enfermeiros com vínculo de funcionário público têm horário de trabalho de 35 horas semanais, "mas, mesmo assim, a maioria está a trabalhar mais horas, devido à carência de enfermeiros".

A greve também foi convocada em protesto contra a acumulação de folgas por gozar e de horas trabalhadas além das 140 ou 160, as quais "deveriam ser pagas como trabalho extraordinário", e contra a sobrecarga de trabalho devido à falta de enfermeiros e à "pouca disponibilidade" da ULSBA para admitir.

"Há serviços que para completarem o horário de enfermeiros este mês vão pagar muitos turnos extraordinários" e há enfermeiros com "190 dias de folga para gozar" e que estão "a trabalhar exaustos e no limite", o que "é inadmissível", disse Edgar Santos.

Contactado pela Lusa, o conselho de administração da ULSBA, através de fonte oficial, escusou-se a prestar dados sobre a adesão à greve.