A greve dos enfermeiros que se iniciou esta terça-feira teve uma adesão de 78,1 por cento nos hospitais no turno da noite, revelou o presidente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, considerando que «o sentimento de adesão é superior à efetiva».

De acordo com José Carlos Martins, a nível nacional, do levantamento feito pelo sindicato «serviço a serviço» e «hospital a hospital», constatou-se que a adesão à greve oscilou entre os 60 por cento e os 90 por cento.

«Isto é um claro sinal de que os enfermeiros não estão disponíveis para aceitar as 40 horas semanais», afirmou.

O dirigente do SEP destacou «dois efeitos práticos» que já resultaram desta greve: o Ministério da Saúde já agendou uma reunião com o sindicato para sexta-feira e o grupo parlamentar socialista vai apresentar um projeto de resolução sobre esta matéria.

Apesar disso, o SEP tenciona manter a greve também na quarta-feira, como inicialmente previsto, e avisa ainda que «caso o Ministério da Saúde não perspetive, na sexta-feira, uma solução para os problemas, está já agendada uma vigília junto ao Ministério da Saúde entre os dias 22 e 24 deste mês».

Os serviços mais afetados são as consultas de enfermagem nos centros de saúde e as consultas externas e cirurgias nos hospitais, adiantou.

Na base desta greve está a «degradação das condições de trabalho», nomeadamente o aumento do horário de trabalho para as 40 horas semanais sem remuneração e os cortes no setor da saúde, que permitem que existam enfermeiros a ganhar 3,4 euros/hora, e a situação dos profissionais a Contrato Individual de Trabalho, explicou José Carlos Martins.

No entanto, o Ministério da Saúde rejeita as acusações, afirmando que o seu diálogo com os sindicatos tem sido «sistemático» e que foi o SEP que optou pela via do «não diálogo» e pela «estratégia da intimidação».