O secretário de Estado da Saúde negou esta terça-feira que o país viva um «período de emergência ou caos generalizado» devido à gripe e pediu para que não se associe mortalidade com crise ou cortes na saúde.

Leal da Costa, que falava numa conferência de imprensa sobre o surto de gripe deste ano, disse que este «nem era o maior» de que há registo, lembrando que um dos maiores ocorreu em 1999 e que nem por isso se pode atribuir responsabilidade a António Guterres, primeiro-ministro na altura.

O secretário de Estado disse estar farto «de inverdades sistemáticas de que há menores probabilidades de se sobreviver ao inverno por causa dos cortes no Serviço Nacional de Saúde».

«Como também não é verdade que as mortes nas urgências estejam relacionadas com atrasos nos atendimentos», acrescentando que todos os anos morrem nos serviços de urgência hospitalares 10 mil portugueses.

O secretário de Estado falava numa conferência de imprensa conjunta com o diretor-geral de Saúde, Francisco George, e o presidente do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, Fernando Almeida.

Durante a intervenção, a Direção-Geral de Saúde admitiu que em duas semanas foram registadas mais mil mortes do que era esperado, mas desvalorizou a incidência. 

A Direção Geral de Saúde diz que o aumento dos óbitos coincidiu com a baixa das temperaturas e o início da gripe sazonal. Os números incluem todas as mortes e não apenas os doentes com gripe e ou com outros problemas. 
  
Só na primeira semana do ano morreram mais de 400 pessoas por dia. A DGS fala em «circunstâncias adversas» entre as quais o frio que chegou mais cedo e ainda o período epidémico da gripe.

«Essa mortalidade verificada foi excessiva em relação à observada no ano anterior, mas também é preciso ver que a atividade gripal e as semanas de frio não são sempre nas mesmas semanas, e indicam-nos que há mais mortes num dia ou numa semana para fins de planeamento», afirmou o diretor-geral de Saúde, Francisco George.


Já o ministro da Saúde também justificou as mortes nas urgências, alegando que nem todos os casos se devem a eventuais falhas no atendimento. O ministro da Saúde apontou mesmo o dedo aos médicos que se reformaram antecipadamente, lembrando que pelo menos 600 clínicos deixaram o Serviço Nacional de Saúde. 

Apesar de tanto o secretário de Estado como o ministro da Saúde desvalorizarem os casos de óbitos nas urgências, o governo anunciou mais medidas para combater o elevado número de doentes que procuram os serviços. Assim, o governo autorizou a contratação de mais médicos e enfermeiros, inclusive reformados, e admitiu a hipótese das urgências dos hospitais privados atenderem doentes enviados pelos hospitais públicos.