Os fumadores que sejam expostos ao amianto têm 50 vezes mais hipóteses de contraírem carcinomas broncogénicos, alertou esta quinta-feira o especialista em medicina do trabalho Maurício Soares.

Presente no quarto fórum sobre amianto, que decorreu no Instituto Superior de Línguas e Administração, em Vila Nova de Gaia, o médico alertou ainda para o facto de as doenças derivadas da exposição a esta substância poderem demorar entre «30 e 40 anos» a desenvolverem-se.

«Após a inalação das partículas, há uma série de transformações que, a longo prazo, podem levar ao aparecimento de várias doenças. Duas delas são fatais: o mesotelioma, que é um tumor das células da pleura, e o carcinoma broncogénico», explicou, no final da sua intervenção, à agência Lusa.

Quanto à segunda, o risco de incidência aumenta de forma considerável no caso dos fumadores. «A possibilidade de as pessoas expostas contraírem a doença quando são fumadoras é 50 vezes maior, porque as fibras de amianto, que se alojam nos alvéolos, transportam consigo o tabaco», justificou.

A exposição a esta substância pode ainda provocar uma outra doença que, mesmo não sendo letal, pode ser altamente incapacitante - a asbestose. «Neste caso, há um depósito de amianto nos pulmões. Não agride tanto mas causa muitas dificuldades, até a caminhar», elucidou.

Ainda assim, o especialista deixou um alerta: «Nas escolas, por exemplo, as crianças só estão expostas ao amianto se as telhas estiverem degradadas»,

O mesmo aviso foi feito por José Costa Tavares, da Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas e Serviços (AECOPS). «É preciso perceber que é importante preservar o amianto que está em condições. Desde que haja a manutenção devida, não há qualquer risco», afirmou, vincando que o amianto contido nas telhas está, regra geral, «encapsulado», sendo, por isso, seguro.