Com a chegada do frio e da chuva, chegam também as castanhas. Os vendedores de castanhas assadas fazem parte do postal das cidades por estes dias, invadindo as ruas com o cheiro do fruto seco misturado com a cinza do fogareiro.
 
Tradição e contemporaneidade podem andar, no entanto, de mãos dadas. As castanhas, como outros frutos secos, podem fazer parte da nossa dieta diária e em versões muito distintas.
 
“Podem estar ao pequeno-almoço, a meio da manhã, ao almoço, numa salada, e, depois, durante a tarde e também ao jantar”, refere a nutricionista Ana Filipa Baião, convidada do Diário da Manhã da TVI desta terça-feira.  Ao natural, em sopas, em pão ou bolos, as opções são muitas. E a nutricionista defende o seu consumo deve ser, “incluído na dieta das camadas mais jovens”.
 
Ana Filipa Baião começa, no entanto, por fazer uma distinção importante, entre os frutos secos e os que são secos. “Há os frutos que são secos naturalmente: a avelã, a castanha, a amêndoa, o pistácio, a noz. E, depois, temos os que não são naturalmente secos, nomeadamente, o figo”.
 


O benefício do consumo de frutos secos no inverno

 
“De facto, a natureza é perfeita e funciona em equilíbrio, os alimentos com a estação do ano em que são necessários”, destaca a nutricionista.
 
E explica: “Estes frutos são os que vêm anunciar a chegada do inverno, são também aqueles que nos vêm dar defesas imunitárias nesta altura do ano”.
Mas, o seu papel não se fica por aqui. “É importante que a grávida tenha contacto com estes frutos, porque o sistema nervoso da  criança está em formação e eles podem ser uma boa fonte” de ácido fólico, acrescenta Ana Filipa Baião.
 
Os frutos secos também têm muita fibra. “Esta fibra serve depois de substrato nutricional para as bactérias boas do intestino. Se tivermos um intestino que está jovem, que está saudável, também estamos mais resistentes a vírus, a bactérias, a outras doenças, porque estes frutos também têm vitaminas antioxidantes, evitando a formação de nódulos e tumores que tanto tememos”, explica a nutricionista.
 
E a fibra destes frutos traz outras vantagens: “Numa sociedade que come de mais, queremos que comam de menos. A fibra dos frutos secos pode ser uma boa fonte de saciedade”.
 

A castanha e os mitos

 
“As pessoas têm muito medo da castanha. De facto, na castanha assada, o valor calórico sobe um pouquinho, mas é muito ligeiro”. A nutricionista dá um exemplo: “100 gramas de castanha só fornecem 185 kcal, 100 gramas de noz batem as 680 kcal”.
 
Ana Filipa Baião “desmistifica” assim os “medos” de quem quer manter a linha e tem receio de comer este fruto seco.
 
“A castanha tem uma característica diferente dos outros frutos secos. É mais rica em água. A castanha fornece hidratos de carbono de absorção moderada. Não é um hidrato de carbono que seja prejudicial. E as castanhas são importantes para o nosso intestino”.
 
No fundo, “um consumo muito regular e sem moderação pode trazer ganho de peso, assim como acontece com a noz, a amêndoa ou a avelã”, conclui a nutricionista.