Tratamentos domiciliários de enfermagem e outros serviços de saúde não foram realizados durante vários dias na região Centro por falta de seguro das viaturas da Administração Regional de Saúde (ARS), informaram hoje dois sindicatos e uma associação profissional.

A ARS do Centro confirmou na tarde de hoje que o problema se verificou, nos primeiros dias do ano, mas que já foi resolvido.

Em comunicado, o instituto público presidido por Rosa Reis Marques informou que a frota automóvel “se encontra já dotada do respetivo seguro”.

“Isto é que cria desrespeito pelo serviço público”, disse à agência Lusa o presidente da Associação Nacional de Unidades de Saúde Familiar (USF-AN), João Rodrigues, ao confirmar que o problema se verificou desde sexta-feira.

Para o médico, coordenador da USF Serra da Lousã, na Lousã, distrito de Coimbra, esta situação “tem a ver com uma responsabilização da gestão” das estruturas do Serviço Nacional de Saúde.

No Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) da Cova da Beira, por exemplo, a frota automóvel tem estado parada e várias extensões de saúde “sem apoio de enfermagem” e administrativo, segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas.

“Todas as viaturas estão estacionadas”, afirmou, indicando que “os domicílios urgentes são feitos de táxi, as deslocações às extensões de saúde são nalguns casos asseguradas em viatura dos próprios trabalhadores e outras ficam sem assistência por falta de administrativo ou de enfermeiro, que não têm forma de se deslocar”.

Num comunicado hoje divulgado pela União dos Sindicatos de Castelo Branco, aquele sindicato refere que tal situação resultou de uma “ordem da presidente da ARS”, Rosa Reis Marques, que tomou posse em dezembro, sucedendo no cargo a José Tereso.

Na quinta-feira, ao fim da tarde, Rosa Reis Marques comunicou aos ACES da região que “o concurso para a contratação de seguro automóvel ficou deserto, não permitindo a adjudicação atempada do processo”.

Tendo sido aberto novo concurso pela ARS, “a expectativa é a de que, a partir do próximo dia 08 (segunda-feira), já exista a referida contratação”, previa aquela responsável, num esclarecimento enviado aos diretores executivos dos diversos ACES, a que a Lusa teve acesso.

“Cautelarmente, até ao momento em que haja informação a confirmar a existência do referido seguro, as deslocações que se revelem necessárias deverão efetuar-se recorrendo ao serviço de táxis, assegurando assim os serviços mínimos”, determinou Rosa Reis Marques.

O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) também divulgou hoje, na sua página da Internet, uma nota intitulada “O inconcebível na ARS Centro”.

Os ACES Centro “foram esta segunda-feira confrontados com este aviso: ‘aproveito para informar que hoje não há o fornecimento mensal dos medicamentos e outros artigos, pelo facto de toda a frota da ARS Centro (…) estar parada por falta de seguro automóvel”, afirma.

“Do mesmo modo, ficaram por fazer hoje os tratamentos domiciliários de enfermagem efetuados em viaturas de serviço em todos os ACES”, acrescenta o SIM.

O presidente da Associação Nacional de USF lamentou: “Os Centros de Saúde deixam de fazer domicílio com os carros públicos e passam a gastar” no aluguer de táxis.

“Será que os dirigentes da ARS também andam de táxi em vez dos carros de serviço?”, questionou.

No Centro de Saúde da Lousã, que integra a USF Serra da Lousã e a Trevim Sol, “este problema não se coloca”, já que os profissionais utilizam três viaturas cedidas pela Câmara Municipal através de protocolo, indicou João Rodrigues.

No entanto, o presidente da direção da USF-NA disse ter conhecimento de unidades de saúde da região cujos profissionais, apesar da falta de seguro, efetuaram serviços ao domicílio, “correndo riscos por uma boa causa”.

“Não é possível ter táxis” disponíveis a diferentes horas do dia, além de que estas viaturas “não têm condições para transportar materiais” utilizados na prestação dos cuidados, alertou.

Na nota enviada à Lusa, na tarde de hoje, o Gabinete de Relações Públicas da ARS explica que “o processo inicial, aberto ainda em 2017, para aquisição do seguro, ficou sem efeito, dado que todas as propostas apresentadas foram excluídas, tendo sido necessário abrir novo concurso”.

A Administração Regional de Saúde “providenciou o recurso a meios de transporte alternativos, não se tendo verificado nenhuma situação de rutura em nenhum ACES” da região Centro.