O bastonário da Ordem dos Enfermeiros (OE), Germano Couto, disse esta quarta-feira, no Funchal, que a falta de profissionais e de respostas ao nível dos cuidados de saúde primários contribui de forma significativa para «entupir» as urgências hospitalares. «O custo dessa não contratação será passarmos de um dos melhores serviços de saúde para ‘lanterna vermelha’», advertiu, realçando que não há qualidade e segurança em saúde sem enfermeiros.

«Em Portugal, o número de enfermeiros continua muito abaixo das reais necessidades», afirmou Germano Couto na abertura do 2.º Congresso Insular de Enfermagem Madeira-Açores, que reúne mais de 500 profissionais até sexta-feira na capital madeirense.

«Sei que o momento pelo qual estamos a passar não é fácil. Sentimo-lo na pele. Sofremos cada vez mais cortes, quer na nossa remuneração, pagando mais impostos, e trabalhamos cada vez mais horas, dias seguidos sem descanso para não comprometer a qualidade da saúde dos nossos cidadãos», realçou, vincando que a Ordem dos Enfermeiros está atenta à realidade vivida nos serviços de urgência dos hospitais e já expôs publicamente «várias situações de insegurança e condições indignas».

«Não nos podemos esquecer que o nosso país está cada vez mais envelhecido e esta realidade tem reflexos na prestação de cuidados, nomeadamente nos serviços de urgência, que passa a ser muitas vezes um serviço de internamento», salientou.


O problema da falta de profissionais foi também focado pelo presidente da secção da Madeira da Ordem, Ricardo Silva, que considerou fundamental a contratação de mais 350 para garantir a «qualidade mínima»  dos serviços na região.

Ricardo Silva evocou estudos que comprovam que o aumento da carga de trabalho do enfermeiro está associado a um aumento da mortalidade e, por outro lado, que a diminuição da mortalidade está diretamente associada ao aumento da qualificação da equipa de enfermagem.

O presidente da secção regional da Ordem dos Enfermeiros alertou, ainda, para o fenómeno da emigração, que diz ser «particularmente gritante» na área da enfermagem. «Depois de tanto falarmos em infraestruturação na Região [Autónoma da Madeira], corremos o risco de quando tivermos as estruturas ideais, não termos profissionais de saúde para as mesmas, porque as pessoas estão a emigrar», salientou.

Ricardo Silva deixou também claro que não tem boas expectativas relativamente à políticas de saúde, apesar da mudança de Governo Regional, mas, por outro lado, garantiu que não lhe falta esperança e trabalho para oferecer.

O secretário regional de Saúde, Manuel Brito, ouviu as críticas e disse que não tinha promessas para fazer, mas expôs «os três grandes compromissos» do novo Governo Regional: melhorar o acesso aos cuidados de saúde, melhorar a qualidade da prestação de cuidados e investir na medicina preventiva ao nível dos centros de saúde.

Manuel Brito expressou também reconhecimento pelo profissionalismo e comportamento ético dos enfermeiros e vincou que «não há projeto nenhum que consiga atingir os objetivos se não tiver a motivação dos profissionais», como reporta a Lusa.