Os seguros de saúde são mais baratos para jovens e solteiros do que a ADSE.  Um estudo da Entidade Reguladora da Saúde (ERS) aponta para a existência de um «oligopólio» no mercado dos seguros de saúde. Mais de metade deste mercado é dominado pelos dois principais concorrentes: a Fidelidade com uma quota 32,2% e a Ocidental Seguros com 23,3%.

«Uma situação intermédia entre concorrência perfeita e monopólio, que se caracteriza por concorrência imperfeita, algumas barreiras à entrada no mercado, diferenciação do produto e capacidade de definição de preços com alguma liberdade por parte das seguradoras», cita a Lusa a partir do relatório.


No estudo «Os seguros e o acesso dos cidadãos aos cuidados de saúde», são ainda analisadas outras tendências relativas ao setor da saúde.

Ao nível do financiamento, a ERS conclui que o a contribuição pública no setor é cada vez menor, com o financiamento privado a promover, entre 2006 e 2014, um aumento ano após ano de cerca de 5%.

Aumento que o regulador prevê manter-se a médio prazo, apesar de alertar que  «o potencial de crescimento dos seguros está a ser restringido pelos efeitos negativos da crise que o país atravessa sobre o rendimento das famílias e o emprego.»

Ainda neste estudo, citado pela Lusa, é definido o perfil típico do utente detentor de apólices de seguros de saúde em Portugal. Segundo a ERS o utente tem entre «30 e 64 anos» e é detentor de uma apólice de saúde há mais de três anos.

O custo e as situações não cobertas são o principal motivo de insatisfação dos segurados. No estudo foram analisadas as práticas contratuais em vigor e a ERS conclui que as seguradoras retiram das coberturas «intervenções médico-cirúrgicas com custos elevados e estipulam limites em termos de quantidade de sessões de fisioterapia ou de consultas de especialidade».

A ERS detetou ainda que as apólices excluem tratamentos que «possam ser necessários ao tratamento de doença entretanto adquirida pelo segurado ou determinam limites de idade para contratar e para cessar o contrato de seguro».

Por este motivo, a ERS conclui:

«Se os seguros de saúde não fossem complementares, passando a substituir o SNS na cobertura das despesas em saúde dos cidadãos, a universalidade do acesso aos cuidados de saúde não estaria garantida.»