O dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses disse hoje que, no turno da noite, a greve na região norte registou nos hospitais do distrito do Porto uma adesão de 74,5%, tendo aumentado no turno da manhã para os 79%.

Noutros hospitais, como em Viana do Castelo, “cerca de 70 por cento” dos enfermeiros aderiu ao protesto e no de Guimarães o número “rondou os 82%”, indicou a mesma fonte.
 

“Da parte da manhã, as salas dos blocos de cirurgia programada dos hospitais de S. João e de Santo António, no Porto, estão encerradas. Os enfermeiros estão a assegurar cirurgias de urgência e a garantir os serviços mínimos no conjunto dos serviços de internamento”, disse José Carlos Martins.


Segundo o dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), “em bom rigor, quase só não faz greve quem não consegue dispensar um dia de salário. Não encontramos um enfermeiro satisfeito com as atuais condições de trabalho”.

No final de um período de greves que começou em Lisboa, Alentejo e Algarve, de 11 a 13 de agosto, e que se estendeu às regiões do Centro (quarta-feira) e do Norte, José Carlos Martins fez “um balanço positivo, do ponto de vista da combatividade dos enfermeiros pela exigência de respostas por parte do Ministério da Saúde”, mas não adianta um número global de adesão por considerar ser cedo para o fazer, “sob pena de vir a ser desmentido pelo rigor dos dados”.
 

O sindicato exige "as 35 horas semanais", uma revisão da grelha salarial, o reposicionamento dos "cerca de dez mil colegas que estão em contrato individual de trabalho" e um suplemento remuneratório para enfermeiros especialistas.


José Carlos Martins defendeu também a contratação de "mais enfermeiros", recordando que entre 2014 e junho de 2015 "2495 enfermeiros abandonaram as instituições" onde trabalhavam.

O dirigente do SEP referiu que está agendada para 15 de setembro mais uma reunião com o Ministério da Saúde que, até ao momento, só apresentou uma contraproposta relativa à harmonização salarial dos profissionais em contrato individual de trabalho.

Na quarta-feira, em nota de imprensa, o Ministério da Saúde frisou que a proposta apresentada pelo Governo às estruturas sindicais "visa proceder à harmonização do regime remuneratório através da celebração de um acordo coletivo de trabalho", que permitirá "o reposicionamento remuneratório dos trabalhadores enfermeiros contratados que aufiram remuneração inferior à primeira posição remuneratória" da tabela aplicável aos enfermeiros com contrato de trabalho em funções públicas.

O ministério sublinhou também a abertura demonstrada "para negociar a passagem para a categoria de enfermeiro especialista" e que é "clara a vontade do Governo em assegurar a harmonização de regimes de trabalho, incluindo o remuneratório, de todos os enfermeiros que exercem funções no Serviço Nacional de Saúde".