Os médicos internistas defendem o esclarecimento da população para evitar que os sintomas da gripe sejam confundidos com os do vírus do Ébola e se gere o pânico entre a população.

 

Maria da Luz Brazão, coordenadora do Núcleo de Estudos de Urgência e do Doente Agudo (NEUrgMI) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), explicou à agência Lusa que a população precisa de estar bem informada sobre os critérios necessários para um caso ser suspeito de infeção pelo Ébola.

 

«Uma coisa é uma gripe e outra coisa é a doença pelo vírus do Ébola», disse, reconhecendo que alguns dos sintomas da gripe - como febre, dores musculares ou cefaleias - são comuns à infeção por vírus do Ébola.

 

No entanto, prosseguiu, são necessários critérios epidemiológicos: história recente, nos 21 dias antes do início dos sintomas, de viagem, escala ou residência na Guiné-Conacri, Libéria, Serra Leoa, Nigéria ou noutros países onde tenham sido reportados casos suspeitos ou confirmados de infeção por vírus Ébola.

 

Outro critério epidemiológico é um contacto próximo com doente infetado por vírus do Ébola, com objetos ou materiais contaminados.

 

Só com estes critérios é que o doente poderá ser considerado suspeito, pelo que «é importante as pessoas não se dirigirem às urgências com medo de estarem infetadas com Ébola, apenas porque estão com sintomas de gripe».

 

Segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS), as pessoas que eventualmente tenham estes critérios devem contactar a Linha Saúde 24 e aguardar indicações, não devendo nunca dirigir-se a um serviço de saúde.

 

Para Maria da Luz Brazão, é fundamental evitar o pânico, o qual «nunca ajuda, nem nesta nem em nenhuma doença».

 

«O alarme nunca deve existir, nem mesmo nas situações graves», adiantou.

 

Para a coordenadora do NEUrgMI, «a prevenção deve ser a palavra de ordem em todos os serviços de urgência, o que inclui a elaboração de um Plano de Contingência por parte de todas as unidades de saúde com este tipo de serviços».

 

Este plano, deve, segundo a especialista, incluir uma formação para todos os funcionários da urgência sobre vários aspetos, como o que é a doença, como se transmite e como se previne, o que é um caso suspeito ou provável e caso confirmado.

 

Aspetos como a proteção e uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), assim como o circuito do doente devem fazer parte da formação destes profissionais.

 

«Nesta fase, o essencial é informar, para evitar o pânico», afirmou Maria da Luz Brazão.