O treino de profissionais para as manobras necessárias e a utilização devida do equipamento de proteção fazem parte do plano de contingência que o Hospital de São João, no Porto, elaborou para responder a casos de Ébola.

Carlos Alves, infeciologista e coordenador da Unidade de Prevenção e Controlo de Infeção do Hospital de São João, disse à Lusa que o facto da Organização Mundial de Saúde (OMS) ter decretado, esta sexta-feira, o estado de emergência mundial de saúde pública não obriga a alterações dos procedimentos daquela unidade hospitalar.

«O nosso plano estava estabelecido, continua com os mesmos parâmetros para responder a casos suspeitos ou de doença», disse o infeciologista de um dos três hospitais de referência em Portugal. Os outros dois são o Curry Cabral e o Dona Estefânia, em Lisboa.

Desde março que o hospital tem vindo a preparar-se para responder a uma eventual procura de casos suspeitos ou de doença, tendo adquirido para tal algum material de proteção.

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Ao nível dos recursos humanos, Carlos Alves disse estar previsto o aumento do número de profissionais ou o desvio para os setores mais necessários, sempre que tal for preciso, mas garantindo «a sua segurança».

Para o infeciologista, a declaração de estado de emergência mundial de saúde pública pela OMS significa que quem está no terreno vai dando indicações de que há a probabilidade dos casos aumentarem.

Carlos Alves considera que o Hospital de São João está preparado para responder a eventuais casos suspeitos ou de doença pelo vírus do Ébola, nomeadamente ao nível do tratamento de suporte que pode ser oferecido a estes doentes e que pode «fazer a diferença entre a vida e a morte».

«Infelizmente não há um medicamento específico para a doença», disse.

A diretora-geral da OMS, Margaret Chan, pediu hoje à comunidade internacional que ajude os países afetados a combater a epidemia de Ébola, a pior em quatro décadas.

Em conferência de imprensa, Chan afirmou que os países da África Ocidental mais atingidos pela epidemia - Libéria, Serra Leoa, Guiné-Conacri e Nigéria - «não têm meios para responderem sozinhos» à doença e pediu «à comunidade internacional que forneça o apoio necessário».

A Direção Geral de Saúde vai divulgar hoje à tarde uma posição concertada com os parceiros europeus sobre a declaração do estado de emergência mundial de saúde pública.

Desde março, a epidemia já matou 932 pessoas e infetou mais de 1.700.

O vírus do Ébola transmite-se por contacto direto com o sangue, líquidos ou tecidos de pessoas ou animais infetados.