O bastonário da Ordem dos Médicos defende que a redução dos tempos de espera na saúde será mais fácil nas consultas do que nos exames, pois já hoje os hospitais públicos não dão resposta por falta de meios.

A situação será mais complicada nos meios complementares de diagnóstico [exames], pois estes dependem de capital humano, mas também da capacidade da estrutura física (…), sobretudo de equipamentos mais pesados”, afirmou Miguel Guimarães.

O bastonário reagia ao facto de, numa entrevista ao jornal Público, o secretário de Estado da Saúde, Fernando Araújo, ter anunciado que o Governo se prepara para reduzir os tempos de espera nas consultas de especialidade e nos meios complementares de diagnóstico.

De acordo com o governante, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) vai pagar mais a médicos e enfermeiros para reduzir os tempos de espera para primeiras consultas de especialidade e exames.

O tempo máximo que um doente pode esperar por uma consulta da especialidade vai baixar dos atuais cinco meses para quatro e, no caso das doenças cardíacas, haverá uma equiparação aos doentes oncológicos, que atualmente são tratados como casos prioritários.

É preciso ver se há estrutura física e espaço para que esta oferta acrescida possa ser realizada. Na consulta externa será possível nalguns hospitais, mas noutros será difícil”, lembrou Miguel Guimarães, dando o exemplo do Hospital S. João, no Porto, onde trabalha, que tem a consulta externa "sempre sobrelotada".

“Eventualmente pode ser durante o fim de semana”, afirmou o responsável, lembrando que, apesar de o valor apontado para pagamento aos médicos pelas consultas extra (entre 12 e 19 euros) ser “claramente inferior ao que seria justo para consulta externa”, alguns poderão estar interessados.

De acordo com o bastonário, “se for durante a semana, fora do horário de trabalho, e se houver estrutura física, existem vários hospitais, mais periféricos, que têm essa possibilidade pois têm uma deficiência grave de capital humanos [médicos]".

A situação mais complicada, de acordo com Miguel Guimarães, será nos meios complementares de disgnóstico.

São exames que se fazem muito frequentemente em muitos hospitais e em equipamentos já fora do prazo e que precisam de ser renovados, não só na sua versão mais recente, com melhor acuidade diagnóstica, mas também na capacidade de resposta dos equipamentos. Aí, não sei como o Ministério das Saúde vai fazer”, disse.

O bastonário sublinha a necessidade de renovação de muitos equipamentos hospitalares e de espaço para os ter, lembrando que em 2016 foram gastos pelo Governo mais de 400 milhões de euros em exames contratualizados fora do SNS por falta de capacidade.

“Nesta fase, não renovando as estruturas físicas e equipamentos, será muito difícil que o SNS, sozinho, consiga dar resposta. Vai haver uma situação mista, o que for possível dentro do SNS faz-se e o que não for será no exterior”, concluiu.