O despacho com a abertura do concurso para a colocação dos médicos recém-especialistas nos hospitais, reclamado há meses por estes profissionais, será publicado na próxima semana, anunciou esta sexta-feira o ministro da Saúde.

Adalberto Campos Fernandes fez este anúncio na Assembleia da República, onde decorre um debate sobre a saúde.

Questionado pelo PSD sobre a falta de colocação de 700 médicos recém-especialistas, que na quinta-feira entregaram uma carta aberta no parlamento a apelar para a sua colocação nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), o ministro referiu que o despacho será publicado na próxima semana, em Diário da República.

O ministro sublinhou, contudo, que estes profissionais estão a trabalhar no SNS, embora não tenham o vínculo e a remuneração correspondente à sua especialização.

Não vale a pena enganar os portugueses e dizer que estão fora” do SNS, adiantou.

Na quinta-feira, um grupo de recém-especialistas da área hospitalar, acompanhados da Ordem dos Médicos e de representantes da Federação Nacional dos Médicos (FNAM) e do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), entregou no parlamento uma carta aberta a contestar o facto de 700 profissionais estarem há largos meses à espera da abertura de concurso.

Ordem dos Médicos saudou anúncio 

A Ordem dos Médicos saudou hoje o anúncio de que o concurso para colocação de médicos recém-especialistas será lançado na próxima semana, ressalvando que os clínicos “só acreditam quando isso se verificar”.

“Esperemos que o ministro da Saúde cumpra a promessa. Vamos esperar para ver o despacho publicado em Diário da República. Os médicos só acreditam quando isso se verificar”, afirmou o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães.

Para Miguel Guimarães, “é lamentável que os médicos tenham sido sujeitos a toda esta pressão e a um tão longo período de incerteza e indefinição”.

“Este foi sobretudo um tempo de grande perda para os doentes, com potencial prejuízo clínico enquanto aguardam em listas de espera, e para a vida pessoal e profissional dos jovens médicos. A saúde dos portugueses não se compadece com tempos de espera políticos”, prossegue o bastonário, citado num comunicado da Ordem dos Médicos.