As crianças, por vezes, são como esponjas que absorvem todo o tipo de maleitas.  Dores de cabeça para os pais que se desdobram em pesquisas em livros e na Internet para tentar saber por que a criança chora. Os nomes é que não são tão simples assim – eritema infecioso e exantema súbito -, por isso, abreviaram-se os nomes para quinta e sexta doença. Elas figuram na enciclopédia dedicada às chamadas doenças da infância, que agrega a varicela, o sarampo, a rubéola e a escarlatina.
 
Para ajudar e descansar pais e educadores, a pediatra Joana Appleton Figueira fez esta terça-feira, no Diário da Manhã da TVI, uma breve descrição destas duas “doenças que são bastante comuns na infância”, ainda que em grupos etários diferentes”.
 

A sexta doença

 
Conhecida como a sexta doença, o exantema súbito é aquela que pode atingir o seu filho primeiro. Atinge sobretudo crianças entre os seis meses e os dois anos, pois, “acima dos dois anos a maioria da população já está imunizada contra o vírus da família do herpes”.
 
“Os Sintomas mais comuns são uma febre muito alta que dura três a cinco dias” acompanhada de “diarreia ou vómitos”. Também “pode ser confundida com uma otite média aguda” por causa da inflamação do tímpano e levar a um falso diagnóstico, esclarece a pediatra.

Esta doença pode dividir-se em duas fases. “Quando para a febre surge o exantema, inicialmente no tronco e no pescoço, e depois espalha-se por todo o corpo. Dura cerca de dois dias e quando para a febre deixa de ser contagioso”, explica a médica, acrescentando que “a partir do momento em que a febre passa, [a criança] pode voltar à escola ou ao infantário, sem perigo, e [também] não há tratamento para fazer nas outras crianças”.

No entanto, há que ter algumas cautelas. “Durante a febre não sabemos se estamos perante uma doença benigna como o exantema” ou algo mais grave, como “uma possível infeção bacteriana”, alerta.
 

A quinta doença ou a doença da chapada


A chamada quinta doença afeta as crianças de uma faixa etária mais velha, entre os cinco e os 14 anos.
A médica explica que a “quinta doença é provocada por um vírus que tem um nome engraçado que se chama Parvovírus B19”. O eritema infecioso “é contagioso numa fase em que quase não dá sintomas”, ou seja, “são ali uns cinco dias em que a criança pode ter ali algum mau estar, pode ter uma febre baixa, pode ter alguma dor de garganta, mas quase não damos por ela na maior parte das vezes, depois o exantema instala-se. Primeiro na face, e por isso chamamos-lhe a ‘doença da estalada’ porque parece que a criança foi esbofeteada na face, fica com as bochechas muito vermelhas e, depois, aparece um exantema muito ténue, que parece uma renda, em todo o corpo, que pode durar semanas e que se pode agravar com o calor, depois do banho”. Nesta fase não há nenhum risco, podem voltar à escola.

Joana Appleton Figueira chama, todavia, a atenção para as consequências graves desta doença. “O problema são os dias anteriores. A quinta doença é benigna em crianças saudáveis, mas pode ser bastante perigosa para doentes com uma anemia crónica”, por exemplo, ou “para grávidas”. É preciso ter atenção quando há surtos. Se na escola trabalham pessoas nestas condições ou se na família há pessoas nestas condições”. A doença tem um período de incubação de duas semanas pelo que, se se enquadrar em algum grupo de risco, deve contactar imediatamente o seu médico.