Nuno Figueiredo, cirurgião da Fundação Champalimaud, em Lisboa, disse esta segunda-feira, que há razão para se ficar preocupado, “mas não alarmado”, com a classificação da Organização Mundial de Saúde (OMS), que considerou o bacon, as salsichas ou o presunto, por exemplo,   cancerígenos para os seres humanos. 
 
Em entrevista no “Jornal das 8” da TVI, o especialista explicou que a OMS apenas confirmou algo que já há muito tempo tinha sido reportado e relatado. Ou seja, que o consumo excessivo de produtos derivados de carne vermelha, e a carne vermelha propriamente dita, são potenciais cancerígenas e podem provocar alterações no sistema digestivo, nomeadamente no nível do cancro colo-rectal.
 

“Mais do que tudo, isto é um sinal vermelho para tentarmos perceber que há que mudar o nosso estilo de vida, mudar as nossas dietas, a nossa alimentação, e sobretudo promover uma diminuição da obesidade que, essa sim, o tabagismo e a ingestão abusiva de álcool estão claramente associados e elevadamente comprovados que provocam o aumento do cancro digestivo”, afirmou o cirurgião.


Para Nuno Figueiredo, o problema não é comer aqueles alimentos, mas sim comê-los em excesso.

“Quanto a isto não nos podemos de todo afastar do que é mais importante, que é promover estilos de vida saudáveis, reduzir ou moderar o consumo das carnes vermelhas e sobretudo passar a tomar muito mais atenção a produtos hortícolas, à ingestão de fibras e ao exercício físico”, explicou.

O cirurgião chamou ainda a atenção para a importância de se fazerem rastreios oncológicos com regularidade.

"É importante a necessidade da aplicação do rastreio do cancro colo-rectal para tentar cada vez mais precocemente detetar estes tumores de modo a que o tratamento para estas lesões seja o menos invasivo e até que cause menos dano possível”, sublinhou.