Um em cada dois homens e uma em cada três mulheres vão ter cancro nos próximos anos. Os números são brutais e traçam uma realidade verdadeiramente alarmante. Não basta tratar, é preciso prevenir, dizem os especialistas. Nos últimos anos, avanços científicos e tecnológicos deram novas esperanças à luta contra o cancro. Portugal também tem dado cartas neste combate. 

Atualmente, já há métodos que permitem fazer uma avaliação de risco da doença e um diagnóstico precoce. Em Lisboa, a Fundação Champalimaud tem uma unidade de diagnóstico precoce que faz precisamente essas avaliações de risco. Aqui, qualquer pessoa pode ter uma consulta e a partir da avaliação que lhe for feita adaptar o seu estilo de vida.

A população em geral está em risco, salientam os especialistas. Mas a boa notícia é que agora, mais do que nunca, o cancro não é uma sentença de morte.

Para além da Fundação Champalimaud, há outros centros de investigação e laboratórios pelo país que se dedicam a procurar respostas para os problemas e desafios da doença.

No I3S - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto, por exemplo, há 900 investigadores que se debruçam sobre o cancro, doenças neurodegenerativas e infeciosas.

Neste instituto, a ciência faz-se ao serviço da saúde. E o conhecimento é depois transferido para os serviços de apoio aos doentes, num processo onde a Associação de Investigação em Cancro tem um papel fundamental.

Além destes institutos de excelência, há centros totalmente especializados no tratamento da doença.

Por ano, o Instituto Português de Oncologia trata 255 mil de todo o país. O IPO tem apostado em tecnologia de ponta, com vários aparelhos de radioterapia e medicina nuclear. Segundo os médicos, a radioterapia foi mesmo a área de tratamento onde houve mais avanços nos últimos anos.

Já no interior, destaque para o Centro de Oncologia de Vila Real, criado em 2009. Esta unidade recebe cerca de 4400 doentes por ano. Servindo os distritos de Vila Real, Bragança, Viseu e Castelo Branco, possibilita evitar a deslocação de doentes até ao Porto. E trata todos os tipos de cancro.

E depois o apoio da Liga Portuguesa Contra o Cancro, que é fundamental. Agora, a Liga quer aumentar a capacidade do seu centro de dia no Porto e aumentar o número de visitas ao domicílio no norte do país. 

Há muita vida depois do cancro. As histórias de quem superou a doença reforçam a ideia de que o cancro não tem de ser uma sentença de morte. 

Mas voltemos aos números. Em Portugal, uma em cada quatro mortes em 2013 deveu-se a cancro. Uma proporção que chega a mais de duas em cada três (40%) nas pessoas com menos de 65 anos, segundo dados do Eurostat. Há 6500 novos casos por ano. 

Ter uma alimentação saudável, praticar exercício físico, não beber álcool ou fumar são práticas que afastam as possibilidades de desenvolver a doença. O conselho dos especialistas é simples: prevenir, prevenir, prevenir.