O cancro digestivo é o que mais mata em Portugal. Todos os anos surgem quatro mil casos e três mil pessoas acabam por não resistir. Os cancros digestivos mais frequentes são o do colo-rectal e do estômago. No dia nacional do cancro digestivo, José Cotter, presidente da Sociedade Portuguesa de Gastroenterologia, alerta para a necessidade de estar atento aos sintomas da doença e para a importância do rastreio. Em entrevista ao “Diário da Manhã”, na TVI, o especialista alerta que a mortalidade pode ser muito atenuada com o diagnóstico precoce.
 
“Nós temos a questão da prevenção primária que é extraordinariamente importante, que diz respeito a hábitos do quotidiano (…) e depois temos a prevenção secundária, que em alguns cancros, é muito, muito eficaz, permitindo mesmo evitar o aparecimento do cancro. O bom exemplo é o cancro do intestino que é, de todos estes, o mais frequente e aquele que mais mortes provoca. Provoca cerca de quatro mil mortes anuais em Portugal e, a nível da Europa, podemos dizer que há uma pessoa que morre com cancro do intestino em cada três minutos”, afirma José Cotter.

O especialista salienta que o número de mortos por cancro do intestino é “impressionante” e sublinha que todas as pessoas, a partir dos 50 anos, sem qualquer sintoma, devem fazer rastreio do cancro do intestino. Um gesto que efetivamente salva a vida, já que deste modo o cancro do intestino pode ser evitado.

“Quando falamos em cancro digestivo, nós englobamos basicamente cinco cancros: cancro do intestino (colo-retal), o cancro do estômago, cancro do fígado, cancro do pâncreas e o cancro do esófago. Este conjunto de cancros é responsável em Portugal por cerca de 10 mil mortes anuais, que é um número muito preocupante. E mais preocupante ainda quando sabemos que estes cancros podem ser prevenidos e, em alguns casos como é por exemplo o cancro do intestino, pode mesmo ser evitado desde que seja feita uma prevenção eficaz e atempada”, refere.