Um grupo de antigos médicos do Hospital de Aveiro divulgou uma «carta aberta» ao ministro da Saúde, denunciando a «péssima qualidade assistencial prestada aos doentes» e o ambiente vivido naquele hospital «de que não há memória».

Na carta aberta ao ministro, que tem como primeiro subscritor Rui de Brito, que presidiu à administração daquele hospital até 2003, os antigos médicos afirmam-se «preocupados com o estado crítico e deteriorado por acontecimentos sucessivos» da instituição, que «foi modelar até há bem pouco tempo».

Os clínicos reportam a Paulo Macedo que a situação atual é de falta de meios humanos e técnicos e mau relacionamento inter-profissional, concluindo que «vive-se, neste momento, no Hospital, um ambiente de que não há memória».

O grupo de profissionais lança um apelo à intervenção do poder político, considerando que «os atuais dirigentes da instituição a têm conduzido bem mal, o que se reflete na péssima qualidade assistencial prestada aos doentes que a ela recorrem diariamente».

Para aqueles médicos, a situação tem sido agravada pela junção dos hospitais de Aveiro, Águeda e Estarreja, «supostamente potenciadora de sinergias comuns e que tanto quanto é do público conhecimento não veio trazer nenhumas melhorias na prestação dos cuidados».

Os subscritores criticam igualmente a portaria do Ministério da Saúde que reformula o mapa hospitalar, «suspendendo 13 serviços no Hospital de Aveiro, com as gravíssimas consequências daí decorrentes na qualidade assistencial prestada às populações».

Os signatários manifestam «o seu veemente protesto» pela situação e responsabilizam «o atual conselho de administração pelo futuro do Hospital, se não forem tomadas atitudes públicas e institucionais consentâneas com a defesa dos legítimos interesses das populações e de Aveiro».

A Lusa tentou obter junto do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Baixo Vouga uma reação à posição do grupo de antigos médicos, o que até ao momento não foi possível.