O ministro da Saúde, Paulo Macedo, afirmou hoje que vai «analisar» o caso de prescrições de antibióticos sem necessidade, destacando o programa que a Direção Geral de Saúde (DGS) está a desenvolver para enfrentar o problema.

«Temos alertado para esta questão e a DGS tem tido um papel muito ativo», afirmou Paulo Macedo aos jornalistas, à margem da cerimónia de encerramento do 6.º Encontro das Unidades de Saúde Familiar (USF), que decorreu no Porto.

«A Deco fez este estudo que vamos analisar mas, sobretudo, a DGS está a desenvolver um programa para precisamente enfrentar esta questão», disse o governante.

Em causa está uma experiência da Deco ¿ Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor para avaliar a prescrição de antibióticos, que demonstrou que, em 50 consultas médicas, 20 clínicos prescreveram estes fármacos sem necessidade para casos de dores de garganta.

Segundo Paulo Macedo, «a preocupação que há com esta má prescrição é, em primeiro lugar, com as pessoas, depois em relação ao que isto quebra de barreiras em termos de eficácia» dos antibióticos.

Para esta experiência foram escolhidas unidades de saúde, públicas e privadas, de forma aleatória, nas áreas da Grande Lisboa e Grande Porto, tendo a Deco pedido a colaboradores, que não tinham quaisquer problemas, que indicassem ao médico sentir dores de garganta, mas sem febre nem qualquer outro sintoma.

«Nas 50 consultas, os médicos observaram a garganta e procuraram inteirar-se dos sintomas. Em 20 casos, receitaram de imediato um antibiótico», refere a Deco num artigo publicado na sua página na Internet.

Nas restantes 30 situações, os supostos doentes perguntaram, sem insistir, se não seria melhor recorrer a um antibiótico. Numa unidade de saúde foi prescrito um daqueles remédios, com a indicação de que só deveria ser tomado «se a situação piorasse, tivesse febre e pontos brancos na garganta».

«O uso incorreto e desregrado de antibióticos tem contribuído para aumentar a resistência das bactérias. Se não forem tomadas medidas para travar o desenvolvimento destas resistências, em poucos anos ficaremos sem armas para combater as infeções bacterianas», avisa a associação de defesa do consumidor.

Está prevista substituição de médicos cubanos

Paulo Macedo afirmou ainda que o contrato celebrado com Cuba prevê a substituição dos médicos daquele país que abandonam o Serviço Nacional de Saúde (SNS) por outros profissionais, e que tal «tem sido possível».

«O que pretendemos é que os portugueses tenham assistência e, se há uma quebra da parte do contrato, que haja uma substituição de médicos, [para] prestarem essa assistência», disse Paulo Macedo, no Porto, à margem do 6.º Encontro de Unidades de Saúde Familiar.

O «Diário de Notícias» revela hoje que vários médicos cubanos contratados para trabalhar em centros de saúde não cumpriram o contrato de três anos que estava estabelecido e que foi assinado entre o Governo português e o de Cuba.

«Alguns deixaram o SNS para trabalharem no setor privado, em empresas de prestação de serviços» e, nestes casos, «quem paga é o utente, já que tem de esperar ainda mais por uma consulta», escreve o diário.

Segundo Paulo Macedo, o Governo «não interfere na liberdade» dos médicos cubanos, lembrando que o protocolo é estabelecido entre estados e é Cuba que estabelece o contrato com os médicos.

«Portugal não tem interferência na relação entre um e outro, o que nós queremos é que seja respeitada a legislação, as regras do país, designadamente a possibilidade que os médicos têm de continuarem a querer permanecer cá ou não, e de estarem ao serviço do SNS ou não, tendo a certeza de que é cumprida a substituição desses profissionais por outros, o que tem sido possível», afirmou o governante.