A Inspeção Geral das Atividades em Saúde (IGAS) abriu um processo de averiguações à intervenção do presidente do INEM no caso de uma doente transportada de helicóptero do hospital de Cascais para o de Abrantes, segundo fonte oficial.

A doente oncológica deu entrada na urgência do Hospital de Cascais a 24 de janeiro. A paciente ficou no Serviço de Observações da Urgência e acabou por ser transferida no dia seguinte para o hospital de Abrantes, alegadamente por ordem do presidente do INEM que se apresentou como médico assistente e amigo da doente. 

Governo quer rapidez na averiguação de caso

É o INEM de novo no centro da polémica. O Hospital de Abrantes vai abrir inquérito para apurar as circunstâncias que levaram o CODU, o Centro de orientação de doentes urgentes, a transferir por helicóptero uma doente oncológica internada no Hospital de Cascais.
 
A polémica remonta a 25 de janeiro, o dia em que a doente deu entrada na unidade de cuidados intensivos do Centro Hospitalar do Médio Tejo. O Hospital de Abrantes nega ter qualquer responsabilidade na escolha do meio usado para o transporte da doente, mas vai avançar com um com processo de averiguação.
 
Já o INEM justifica a transferência com o «caos nas urgências». A doente em causa estava em estado crítico e garante que o Hospital de Cascais não tinha camas vagas na unidade de cuidados intensivos e, sem ter para onde a transferir, solicitou ao INEM a transferência para o Hospital de Abrantes com cama livre para a receber.
 
Ora, facto que o Hospital de Cascais nega redondamente. O hospital diz que ninguém  da unidade hospitalar  contactou o INEM. Pelo contrário, garante que se passou exatamente o contrário: foi o próprio INEM a solicitar e a tratar da transferência da doente por helicóptero para o Hospital de Abrantes. Mais, na nota de transferência, assegura o hospital, consta o nome do próprio presidente do INEM, Paulo Campo, que assina como médico assistente e amigo da doente.
 
Duas versões para o mesmo episódio. O INEM lamenta em comunicado ser agora questionado e garante que não violou as regras, que usou os meios disponíveis e apropriados ao caso sem custos adicionais para o Estado.
 
Fonte do gabinete do ministro da Saúde disse à Lusa que a IGAS já tem em curso um processo de averiguações a esta situação e que Paulo Macedo tirará das conclusões desta investigação as devidas ilações.