A diabetes afeta mais de um milhão de portugueses. De acordo com os últimos dados, por dia, surgem 150 novos casos. “Em cada dez [portugueses], um tem a doença”, adverte o Professor Rufino Silva, presidente do Grupo de Estudos da Retina, entrevistado no Diário da Manhã desta sexta-feira, véspera do Dia da Diabetes.
 
Para além dos outros problemas de saúde que a diabetes acarreta, um deles, muito importante, é a possibilidade de provocar a cegueira. Os números falam por si: “Temos que ter em consideração que a retinopatia diabética é a primeira causa de cegueira em Portugal, entre os 20 e os 65 anos, na idade em que as pessoas estão a trabalhar”, chama a atenção do professor de medicina. Alarmante, mas evitável.

Ora, isto é, o edema macular diabético surge da retinopatia diabética, um problema associado à diabetes tipo 1 e 2. A grande mensagem que o Grupo de Estudos da Retina quer passar no Dia da Diabetes é, precisamente, [que a cegueira] pode ser evitada.

A primeira causa de cegueira em Portugal pode ser evitada na idade produtiva”, frisa o médico.


E como? Tão simples, através de uma visita ao oftalmologista. “Um oftalmologista deteta a retinopatia diabética e pode detetá-la precocemente, antes de haver perda de visão e, aí, há medidas que ele pode instituir para que a doença não progrida”. Sem dúvida que “temos diabéticos que não estão notificados, mas, aqueles que estão notificados, devem ter um controlo anual por um oftalmologista ou participar nos programas de rastreio”, refere Rufino Silva.

O professor explica o que está em causa: “Para nos enquadramos, temos a mácula, que se compara a uma câmara fotográfica; é o filme, o rolo fotográfico onde se fixam as imagens que vão para o cérebro. Na retinopatia diabética dá-se uma manifestação grave da diabetes no globo ocular, há líquido que sai dos vasos e penetra na retina e forma um edema, distorce a visão e dá perda de visão".

Prevenir para depois não ter que remediar, a perda de visão por esta doença pode ser reversível em algumas situações, mas, o melhor mesmo, é travá-la a tempo, com um controlo metabólico, controlo da glicémia, ver a tensão arterial e o colesterol, [fazer] exercício físico” e, claro, visitar um “oftalmologista”, conclui o médico.