Por: Redacção / Carlos Enes | 17- 5- 2011 22: 2
Há um novo buraco no Serviço Nacional de Saúde. Cento e trinta e nove milhões de euros é o passivo do universo de empresas
criado pelo governo para prestar serviços aos hospitais. O objectivo era diminuir custos, aconteceu o contrário.
Os
relatórios e contas de 2010 do SUCH, serviço de utilização comum dos hospitais, contam mais uma tragédia financeira. O passivo
do SUCH, cujo capital é maioritariamente formado por hospitais públicos, ascende a 86 milhões de euros.
O SUCH existe
para reduzir os custos dos hospitais, mas falha redondamente nessa missão, como denunciado há meses pelo Tribunal de Contas.
Ele próprio acumula prejuízos, que duplicaram nos últimos anos.
Em 2007, o ministro da Saúde, Correia de Campos
incentivou o SUCH a lançar-se numa aventura empresarial. Através da criação de três novas empresas: Somos Compras, Somos Contas
e Somos Pessoas. Em parceria com três consultoras privadas: Delloite, Accentura, Capgemini.
Ao fim de dois anos de
actividade, estas novas empresas representam novos passivos de monta: 25 milhões e quinhentos mil euros + 19, 5 milhões +
oito milhões. Resultado, o universo SUCH tem hoje um buraco total de 139 milhões de euros, se considerarmos os passivos da
empresa mãe e das associadas.
Perante as críticas severas do Tribunal de Contas, o ministério da Saúde decidiu avançar
para uma fusão das empresas, numa nova entidade, anunciada como a grande central de compras da saúde. Mas o ministério das
Finanças resiste à ideia, como revela no relatório de contas Nélson Baltazer, ex-deputado do PS e actual presidente do SUCH.
«Continuamos
a aguardar a homologação do acordo, ainda pendente no ministério das Finanças». Correia de campos já não é ministro da saúde,
mas continua a seguir o problema de perto. É ele o presidente da Assembleia-geral do SUCH.
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