Um inquérito divulgado esta sexta-feira pela Direção-Geral da Saúde (DGS) revela que a maioria dos utentes foi bem atendida e teve o seu problema resolvido, e que a crise económica não os impediu de fazer exames ou comprar medicamentos.

O "Estudo de Satisfação dos Utentes do Sistema de Saúde Português" foi realizado, para a DGS, pela empresa Eurosondagem, entre 10 de fevereiro e 13 de março, em Portugal Continental, abrangendo uma amostra de 2.300 pessoas, com 16 ou mais anos.

Dos utentes dos serviços público e privado de saúde auscultados, a maioria são mulheres e idosos, e trabalham ou estão reformados.

Segundo a sondagem, 90,7% dos inquiridos consideram que foram bem atendidos pelos profissionais de saúde e 74,0% dizem que o seu problema de saúde foi devidamente resolvido.

A maioria não faltou às consultas médicas (90,1%) ou deixou de fazer exames médicos, tratamentos, consultas de seguimento (87,2%) e de comprar medicamentos (87,9%) por dificuldades financeiras.

O estudo de opinião conclui que os utentes estão satisfeitos com a qualidade do serviço prestado, com grande parte (83,1%) a assinalar que correspondeu ao esperado.

No entanto, 38,6% dos inquiridos entendem, sem especificar, que o sistema de saúde necessita de grandes mudanças e ajustamentos, sendo mais os utentes do setor privado a defenderem essa ideia (41,5%, contra 38,1% do setor público).

Quanto às consultas, mais de metade das pessoas (87,4%) dizem estar satisfeitas com o tempo despendido pelo médico e que este lhes deu oportunidade para esclarecerem as suas dúvidas (89,2%).

Sobre o tempo de espera, 42,2% dos utentes que recorreram aos serviços públicos de saúde esperaram mais de um mês por uma consulta da especialidade, ao passo que 39,1% aguardaram menos de um mês.

De acordo com a DGS, os tempos de espera nas consultas da especialidade enquadram-se nos parâmetros normais definidos para o Serviço Nacional de Saúde: atendimento até 30 dias em casos muito prioritários e atendimento até 60 dias nas situações prioritárias.

O inquérito assinala que, no dia da consulta, mais de metade das pessoas (51,8%) esperaram até uma hora para serem atendidas pelo médico.