O presidente da Associação Nacional de Sargentos (ANS) disse esta segunda-feira que o protesto simbólico que esta tarde decorreu nos quartéis teve uma «dimensão nacional» que «emitiu sinais que deputados e Governo devem saber ler».

Três associações socioprofissionais de militares convocaram para hoje um protesto simbólico dentro dos quartéis, na véspera da votação final global do Orçamento do Estado para 2014, que consistiu em assistir à cerimónia do arriar da bandeira e permanecer depois no interior das instalações militares, «em reflexão», disse à Lusa António Lima Coelho, presidente da ANS, uma das associações que promoveu a iniciativa.

De acordo com o responsável associativo, «é inquestionável a dimensão nacional do protesto», com militares em todo o país a assistir à cerimónia e muitos a permanecerem nas instalações, mesmo onde não há habitualmente o arriar da bandeira.

«Houve uma clara vontade de dizer: estamos cá, estamos presentes, estamos preocupados», declarou Lima Coelho, que espera que do protesto de hoje sejam retiradas consequências por parte do Governo, «que tem a responsabilidade de não ceder à ditadura dos números».

«Deputados e Governo têm de saber ler estes sinais emitidos por quem habitualmente não se manifesta», defendeu o presidente da ANS, prometendo que a iniciativa de hoje terá uma continuidade, ainda que nada esteja definido ou agendado.

«Não iremos parar por aqui. Encontraremos os caminhos que tivermos de encontrar», disse.

Lima Coelho deixou ainda críticas ao ministro da Defesa, Aguiar-Branco, por este já ter defendido que a Constituição deve ser revista para poder acomodar medidas que permitiam o processo de reformas que o Governo quer implementar, mas, quando foi marcado o protesto de hoje, ter vindo a público lembrar que «a Constituição é para ser cumprida».

«É bom que o ministro se defina», criticou Lima Coelho, afirmando que «a Constituição não é para ser usada conforme dá jeito».

O presidente da ANS sublinhou ainda que o facto de o protesto simbólico dos militares ter sido agendado para hoje, 25 de novembro, não tem qualquer ligação a outros momentos históricos passados neste dia, nem a quaisquer homenagens, como a que hoje decorre dedicada ao antigo Presidente da República, o general Ramalho Eanes.

«A escolha da data prende-se exclusivamente com o facto de ser a véspera da votação do Orçamento do Estado para 2014», garantiu, frisando que esta terça-feira «é um dia extremamente importante para todos os portugueses».

A iniciativa de hoje foi aprovada pela ANS, pela AOFA (Associação de Oficiais das Forças Armadas) e pela AP (Associação de Praças) no passado dia 12, no final de uma concentração de militares junto à Assembleia da República.

O «protesto simbólico» visa «dar um sinal de preocupação e mal-estar que grassa» dentro da instituição militar face aos cortes orçamentais que atingem os salários, reformas e face a alterações em curso no estatuto dos militares, concluiu Lima Coelho.