As vacinas evitaram pelo menos 10 milhões de mortes entre 2010 e 2015, e protegeram muitos milhões de pessoas de doenças como o sarampo, a pneumonia ou a tosse convulsa. O dados da Organização Mundial da Saúde foram divulgados hoje e ganham ainda mais pertinência com os surtos de sarampo e de hepatite A em Portugal. 

Muitos milhões de vidas foram protegidas do sofrimento e incapacidade associados a doenças como pneumonia, a diarreia, tosse convulsa, sarampo e poliomielite”.

A OMS salienta ainda, em comunicado, que programas de imunização bem-sucedidos também permitem que as prioridades nacionais, como a educação e o desenvolvimento económico, se concretizem. A vacinação é um dos meios mais baratos e eficazes de prevenir doenças infeciosas graves.

Desde a criação do Programa Expandido de Imunizações (PEI) da Organização Mundial de Saúde, os níveis de imunização com as seis vacinas infantis básicas - difteria, tosse convulsa, tétano, poliomielite, sarampo e tuberculose -, subiram de 5% no início da década de 1980 para cerca de 80% em todo o mundo atualmente.

O impulso global para acabar com a poliomielite atingiu a sua fase final. Há apenas três países que ainda estão a trabalhar para erradicar esta doença debilitante, adianta a OMS em comunicado.

O ambicioso Plano de Ação Global de Vacinas, que tem como o objetivo melhorar o acesso às vacinas em todas as regiões do mundo e, assim, prevenir milhões de mortes até 2020, começou forte, mas está a ficar para trás.

A Organização Mundial da Saúde desafia, por isso, os líderes de saúde mundiais a fazerem da vacinação uma das maiores histórias de sucesso da medicina moderna.

O caso português 

Em Portugal, no caso da hepatite A, já há 203 infetados e o surto ainda não está controlado. Por desconhecimento ou simples desinteresse, a afluência à vacinação mantém-se muito abaixo do esperado. 

No caso do sarampo, metade dos 21 casos confirmados são de pessoas sem vacina contra a doença. Há a lamentar uma primeira morte por sarampo, de uma jovem de 17 anos que não estava vacinada.

Portugal chegou a ter uma taxa de vacinação superior a 95%. Hoje em dia, será inferior, por causa dos pais que optam por não vacinar os seus filhos. O principal argumento que usam é que as vacinas ‘mexem’ com a imunidade das crianças. Coloca-se a pergunta: Devem os pais ser responsabilizados por não vacinar os filhos? Há uma petição a circular na Internet para defender a vacinação obrigatória.

A doença é altamente contagiosa, geralmente benigna mas que pode desencadear complicações e até ser fatal. Pode ser prevenida pela vacinação, que em Portugal é gratuita.

Desde janeiro, o país já registou mais casos de sarampo do que em dez anos. Entre 2006 e 2014 foram registados 19 casos. A doença estava erradicada em Portugal desde o ano passado. 

O diretor-geral, Francisco George, admitiu já que a hipótese de baixar a idade da primeira vacina está a ser estudada.