“Não sei até que ponto isto não será um pouco de propaganda, que pode derivar da indústria farmacêutica. Se calhar é preciso escoar stocks da vacina do sarampo.”

As palavras são de uma mãe antivacinas que falou à TVI sobre as razões que a levaram a optar por não vacinar. O surto de sarampo em Portugal, que levou à morte de uma jovem de 17 anos, relançou o debate sobre a vacinação das crianças. Os especialistas e a Direção-Geral da Saúde têm reforçado o apelo à vacinação, mas há pais que continuam a optar por não vacinar.

Esta mãe antivacinas com quem a TVI falou, e que prefere não ser identificada, diz que optou por não vacinar por considerar que as vacinas têm uma “toxicidade elevada”. A progenitora afirmou que vacinar uma criança pequena tem um impacto “muito forte”.

Nós pensamos na altura que fazer vacinação, e especialmente em tão tenra idade, seria muito forte. Sabemos que o conteúdo das vacinas tem uma toxicidade elevada.”

Não se sente negligente por não vacinar, mas reconhece que existe pressão social e explicou de que forma.

“Há uma pressão. Se for à escola o filho não pode ser matriculado, se vai ao médico provavelmente ele não vai adiantar com a consulta porque pede as vacinas e não tem vacinas. Pode-se recusar que foi o que aconteceu comigo.”

A verdade é que as escolas têm um papel muito importante no controlo da vacinação. Habitualmente, e no que toca às escolas públicas, o controlo do boletim de vacinas é feito no momento de entrada no agrupamento escolar. Mas não sendo uma vacina obrigatória, as escolas públicas não podem, por lei, recusar a inscrição de crianças que não são vacinadas. Só no privado é que as escolas podem exigir o boletim em dia. 

Outra mãe antivacinas com quem a TVI falou, também sob a condição de anonimato, argumentou que “há estudos que relacionam a vacinação com o autismo, problemas mentais, esclerose múltipla e outras doenças”. Disse que os "benefícios da vacinação" não a convenceram.

Há aqueles estudos muito conhecidos que relacionam a vacinação com o autismo, também há outros que falam sobre problemas mentais, esclerose múltipla, alzheimer, Parkinson. Não me convenceram de que os benefícios da vacinação seriam assim tão benéficos para a saúde do meu filho.”

A origem da ideia de que a vacina tríplice (sarampo, papeira, rubéola) está associada ao autismo surgiu com a publicação de um estudo na revista The Lancet no final dos anos 90. Acontece que o estudo, que usava apenas uma amostra de 12 crianças, foi considerado fraudulento e arrasado pela comunidade médica e científica.

Uma investigação jornalística descobriu que o autor do estudo, o britânico Andrew Wakefield, tinha falsificado dados clínicos em troca de dinheiro dos advogados dos pais dessas crianças. O Conselho Médico Geral britânico considerou que Andrew Wakefield agiu de forma antiética e desonesta e proibiu-o de exercer.

O norte-americano Jeffrey Bradstreet foi outro médico que promoveu o movimento antivacinação. Bradstreet relacionou todas as vacinas ao autismo, alegando que o problema estava na toxicidade do mercúrio. Mas a teoria, tal como a de Wakefield, também foi arrasada pela comunidade científica. O médico suicidou-se em 2015.

Com efeito, estima-se que as vacinas evitaram pelo menos 10 milhões de mortes em cinco anos. Os dados são da Organização Mundial de Saúde e referem-se ao período entre 2010 e 2015. Estes dados mostram que as vacinas protegeram milhões de pessoas de doenças como o sarampo, a pneumonia e a tosse convulsa. A maioria dos especialistas não tem dúvidas: vacinar é a "opção correta".

Ainda assim, há pais que não estão convencidos.

 

 

 “Confio no meu trabalho como educadora e como pessoa consciente, que toma decisões muito ponderadas em relação à saúde do seu filho, que tenta ao máximo dar-lhe um estilo de vida que promova a sua saúde e é nisso que eu acredito. Isso para mim é a verdadeira prevenção, sobretudo a alimentação, a estabilidade emocional, tudo isso é muito importante para a saúde das pessoas", remata uma mãe antivacinas.