Há uma petição a circular na Internet para defender a vacinação obrigatória já recolheu mais de 1.100 assinaturas. O documento está disponível no site Petição Pública.

Aparece no topo da lista das últimas petições criadas naquela página da Internet, com os signatários a defenderem que “é cada vez mais importante alertar as pessoas para a necessidade de vacinar as crianças”. Sobretudo depois de, na quarta-feira, ter sido conhecida em Portugal a primeira morte por sarampo, de uma jovem de 17 anos que não estava vacinada.

“Por uma questão de saúde pública, não queremos que exista um retrocesso civilizacional no que à evolução médica diz respeito”, recordam os signatários da petição.

Até às 09:25 de hoje, a petição tinha recolhido 1.200 assinaturas, algumas de médicos e outros profissionais de saúde.

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Para defender a obrigatoriedade das vacinas incluídas no Programa Nacional de Vacinação, os signatários lembram que estas mesmas crianças não vacinadas "podem ser foco de infeção para quem tem um sistema imunitário fraco ou para quem não pode ser, de todo, vacinado” e reconhecem que “muitos dos casos que agora surgem de doenças para as quais já há vacinas não se prendem, diretamente, com os movimentos antivacinação”.

Porque não queremos voltar a temer doenças como a tuberculose, o sarampo, a escarlatina ou a tosse convulsa (…), vimos pedir que seja pensada a obrigatoriedade da vacinação de todas as crianças – e apenas das vacinas que constam do Plano Nacional de Vacinação, que sabemos ser um dos mais robustos da Europa”

Mais casos este ano do que nos últimos dez

Metade dos 21 casos de sarampo confirmados em Portugal no atual surto epidémico são de pessoas sem vacina contra a doença. 

Desde janeiro, Portugal já registou mais casos de sarampo do que em dez anos. Entre 2006 e 2014 foram registados 19 casos. A doença estava erradicada em Portugal desde o ano passado. 

O diretor-geral, Francisco George, admitiu já que a hipótese de baixar a idade da primeira vacina está a ser estudada.

Portugal chegou a ter uma taxa de vacinação superior a 95%. Hoje em dia, será inferior, por causa dos pais que optam por não vacinar os seus filhos. O principal argumento que usam é que as vacinas ‘mexem’ com a imunidade das crianças. Coloca-se a pergunta: Devem os pais ser responsabilizados por não vacinar os filhos?

A doença é altamente contagiosa, geralmente benigna mas que pode desencadear complicações e até ser fatal. Pode ser prevenida pela vacinação, que em Portugal é gratuita.

Escolas: o que devem fazer?

Começou precisamente hoje o terceiro período escolar e há dois dias que decorrem as matrículas para o pré-escolar e para o 1º ciclo. Ora, é na altura das matrículas que as escolas verificam o boletim de vacinas e alertam os pais, mas nunca podem recusar a inscrição a um aluno. A DGS criou e-mail para responder a dúvidas das escolas.

Com a vacinação gratuita das crianças, a partir de 1974, e sobretudo com a introdução de uma segunda dose de vacina em 1990, o sarampo acabou por se tornar quase uma doença esquecida ou invisível. Mas entre 1987 e 1989 tinham sido notificados em Portugal 12 mil casos, contabilizando-se 30 mortes.

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