O número de novos casos de sarampo está a ficar estável e as autoridades de saúde admitem que o surto da doença, ocorrido na região norte, poderá estar em fase de transição sem novos ciclos infecciosos.

É provável, eventualmente, que possamos estar já numa fase de transição, mas temos de esperar pelos próximos dias para ter resultados concretos e podermos afirmar isso com alguma confiança", disse, nesta terça-feira, o secretário de Estado da Saúde, Fernando Araújo.

"Neste momento, o número de novos casos está a ficar estável”, afirmou, indicando que eventuais novos ciclos de transmissão e infeção só deverão ocorrer até final da próxima semana.

Temos é de perceber se há ou não novos portadores, novos doentes infetados, que deem origem a novos ciclos, isso poderia levar mais tempo até debelar este surto", enfatizou.

Em declarações em Pombal, distrito de Leiria, à margem das comemorações do Dia Mundial da Saúde Oral, Fernando Araújo admitiu que, nesta altura, ainda é "precoce" afirmar que o surto já atingiu o "pico" de novos casos e que os próximos dias serão determinantes para haver uma "visão mais clara do que está a acontecer".

O último balanço Direção-Geral de Saúde (DGS) apontava para 53 casos de sarampo confirmados em Portugal, de um total de 145 situações suspeitas.

Até às 19 horas do dia 19 de março de 2018 foram reportados 145 casos suspeitos de sarampo, a maioria dos quais com ligação ao Hospital de Santo António, no Porto", indicava a informação divulgada na noite de segunda-feira pela DGS.

Dos 145 casos reportados, 53 foram confirmados laboratorialmente pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge e 51 foram infirmados.

Dos 53 casos agora confirmados, todos adultos, um pertence à região Centro, embora com ligação ao surto que decorre na região Norte.

Há ainda um conjunto de 41 casos a aguardar resultado laboratorial.

De acordo com o comunicado, estão internados cinco doentes, com situação clínica estável.

Fernando Araújo afirmou ainda que o número de casos de sarampo "está previsível relativamente às curvas que tinham sido previstas para um surto deste tipo, que são curvas até mais reduzidas quando comparadas com outros países em função da elevada taxa de vacinação" existente em Portugal e que cifrou em "mais de 98%" na região norte.

O secretário de Estado da Saúde sublinhou também o "elevado trabalho efetivo" que tem sido feito pelas autoridades de saúde pública na identificação dos contactos entre os doentes afetados pelo surto, na promoção de uma vacinação ativa "e de alguma forma a confinar esse surto" ao norte do país.

O esforço que está a ser feito, quer em Gaia, quer nos outros hospitais, em termos de vacinação dos profissionais de saúde está a ter resultados muito efetivos e, portanto, nós estamos confiantes de que o surto que está na região Norte está a ser convenientemente lidado e que será confinado neste local", frisou Fernando Araújo.

Stock de vacinas é “mais do que suficiente”

O stock de vacinas de sarampo existente em Portugal é "mais do que suficiente" para as necessidades, quer da população em geral quer dos profissionais de saúde, garantiu, ainda, Fernando Araújo.

O governante disse que o número de vacinas de sarampo existentes em Portugal foi revisto na segunda-feira entre a tutela, as diversas administrações regionais de saúde e a Direção-Geral de Saúde (DGS) e existe "em número suficiente" quer nos centros de saúde, quer nos hospitais.

Nesse aspeto estamos perfeitamente descansados e as pessoas podem estar confiantes que se for necessário, se for indicado, terão seguramente a vacina, que é gratuita, que é segura, e que defende os próprios, os seus mais próximos e a comunidade", frisou.