Por: Redacção / CP | 22- 10- 2008 19: 13
Uma crítica ao romance de José Saramago «As Intermitências da Morte» («Death with Interruptions») foi publicada na edição
electrónica desta semana da revista norte-americana The New Yorker.
Intitulada «Death takes a holiday»
(«A morte tira umas férias»), a recensão, da autoria de James Wood, é acompanhada de uma ilustração feita por Ana Juan em
que o Nobel da Literatura português tem pousada sobre o ombro a mão de um esqueleto que espreita por trás dele, simbolizando
a morte.
O texto de três páginas começa por citar o filósofo moralista inglês Bernard Williams, que defendeu
numa das suas obras, «The Makropulos Case», que a vida eterna seria tão entediante que ninguém conseguiria suportá-la. Resumindo,
a tese de Williams é a de que a vida precisa da morte para fazer sentido - a morte é apresentada como o período negro que
ordena a sintaxe da vida.
«Em Death with Interruptions, José Saramago, um escritor cujas longas, ininterruptas frases
são relativamente estranhas ao ponto final, produziu um romance que funciona como uma experiência pensada no universo de Capek/Williams»,
sustenta James Wood.
Depois de fazer um resumo da história contada no romance, o crítico da New Yorker diz que
«Death with Interruptions» é «uma pequenina, deliciosa parcela a adicionar à obra de um grande romancista».
«Algumas
das obras mais significativas dos últimos 30 anos têm retirado prazer da utilização da frase longa e sem regras - pensem em
Thomas Bernhard, Bohumil Hrabal, W.G. Sebald, Roberto Bolaño - mas ninguém soa como Saramago», escreve Wood.
«Ele
tem a capacidade de parecer sábio e ignorante ao mesmo tempo, como se não estivesse realmente a narrar as histórias que narra»,
observa o autor.
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