O incêndio que afeta S. Pedro do Sul, no distrito de Viseu, e que começou na segunda-feira, em Arouca, já está a ser combatido por cinco meios aéreos pesados, segundo informação na página da proteção civil.

A Autoridade Nacional da proteção Civil (ANPC) refere às 16:00 que no local do incêndio florestal estão 978 operacionais apoiados por 294 meios terrestres e dez meios aéreos.

Este incêndio, o único de maiores proporções indicado pela proteção civil, começou ao início da tarde de segunda-feira, na localidade de Janarde, concelho de Arouca, distrito de Aveiro, mas alastrou ao distrito vizinho de Viseu.

O adjunto de operações da ANPC Carlos Guerra tinha dito à Lusa, no início da manhã, que assim que fosse possível, seriam utilizados os meios aéreos disponíveis para combater este incêndio que já levou à retirada de pessoas de várias povoações durante a noite.

"Neste momento [cerca das 09:00], estamos em condições [de atuar], se a situação permitir no local, com os oito meios aéreos pesados disponíveis e, se conseguirmos, pensamos que a situação poderá ficar resolvida dentro de algumas horas", referiu.

O fumo produzido pelo fogo não permitia a utilização dos aviões já que impossibilitava a visibilidade dos pilotos.

Durante a noite, disse, a prioridade das autoridades foi a defesa de alguns núcleos habitacionais, na zona do incêndio, "trabalho feito, sem vítimas a registar", além das ações de combate ao fogo realizadas, quando possível, tendo havido um reforço dos meios.

Segundo o responsável, "houve bastantes lugares ameaçados pelo fogo, pessoas deslocadas das suas habitações por questões de segurança, outras [que], entretanto, voltaram".

A situação está "muito mais calma neste momento, passado aquele período mais violento", no fim da tarde e primeiras horas da noite de sábado, descreveu Carlos Guerra.

O incêndio de S. Pedro do Sul é aquele que mais preocupa a proteção civil, "o único de maiores dimensões ativo no país", iniciado na segunda-feira, no concelho de Arouca e que se "desenvolveu muito significativamente sobretudo devido aos ventos muito fortes e às altas temperaturas" no sentido do concelho de S. Pedro do Sul, apontou o responsável.

Esperança na atuação dos meios aéreos

O presidente da Câmara de S. Pedro do Sul, Vitor Figueiredo, mostrou-se, entretanto, esperançado de que o incêndio que lavra no seu concelho possa evoluir favoravelmente durante o dia de hoje, com a ajuda dos meios aéreos.

Em declarações à agência Lusa cerca das 12:00, o autarca disse que estarão a combater o incêndio - que teve início na segunda-feira em Arouca e alastrou a S. Pedro do Sul - "mais de 800 operacionais, centenas de viaturas e cinco aviões: dois russos, dois italianos e um marroquino".

"Estou em crer que os aviões vão poder atuar porque, segundo me disseram, em dias de calor o fumo tende a levantar", explicou, acrescentando que está previsto os aviões começarem a operar na zona de Santa Cruz da Trapa, "onde a situação é pior".

Vítor Figueiredo disse que, no que toca aos incêndios, "nunca se pode ter certeza de nada", mas acreditar "que hoje vai ser um dia melhor" para o combate às chamas.

Devido a este incêndio, várias aldeias estiveram ameaçadas pelas chamas, como Açores, Fujaco, Aldeia, Dianteiro e Paço de Carvalhais, tendo algumas sido evacuadas.

"As pessoas estão a voltar às suas casas", contou o autarca, acrescentando que a situação que poderá demorar mais algum tempo é a de duas pessoas acamadas que se encontram na Misericórdia de Santo António e que precisam de ser transportadas de ambulância, aguardando a disponibilidade de um motorista.

Cerca das 16:00, a página na ANPC dá conta de 88 incêndios rurais, que mobilizam 2.880 operacionais, 899 meios terrestres e 26 meios aéreos, com o distrito do Porto a registar 21 situações. Aveiro e Viseu registam, cada um, 11 ocorrências.