Mais de 1.500 pessoas participaram este domingo numa votação para encontrar um novo nome para uma das maiores uniões de freguesias de Santo Tirso, tendo «Vila Nova do Campo» ganhou com 47% dos votos, indicou o autarca local.

Este domingo foi dia de votação em três freguesias que se localizam na zona nascente de Santo Tirso, concelho do distrito do Porto, que compõem a União de Freguesias de Campo (S. Martinho), S. Salvador do Campo e Negrelos (S. Mamede).

Esta designação, por ser «grande e complicado demais» tem gerado constrangimentos, pelo que a população, por iniciativa do executivo socialista local, decidiu ir a votos para escolher uma nova designação para o local onde vivem, num processo chamado «um novo Destino, um novo Nome».

O boletim de voto indicava cinco hipóteses: Vale Nascente, Vila Nova do Campo, Vila Nova do Vale, União do Vale e Campo e Negrelos, nomes que sobraram de uma lista de 145 sugestões dadas pela população e que foram seleccionados por uma comissão que juntou 36 pessoas, incluindo autarcas e ex-autarcas de vários partidos, responsáveis do agrupamento de escolas, pároco e movimento associativo local.

Vila Nova do Campo não deixou margem para as restantes propostas. Venceu com 47,13% dos votos. Seguiu-se Campo e Negrelos com quase 25%. E em terceiro lugar verificou-se um empate técnico entre Vila Nova do Vale e União do Vale, enquanto Vale Nascente colheu apenas 6% das preferências.

«Vim cumprir o meu dever cívico. Não gosto do que fizeram [referindo-se à agregação de freguesias em 2013] mas agora há que arranjar um nome o mais próximo do que somos», disse à Lusa Artur Pereira, logo pela manhã, de cartão de cidadão na mão para fazer a sua escolha.

Ao lado, Bernardino Brandão confessava estar «indeciso ainda» entre votar em branco ou escolher um nome: «Sou pela junção há 30 anos, mas não queria mudar de nome», disse.

O dia foi agitado em três locais de voto, exatamente nos três onde costumam estar as urnas numa real eleição nacional: atual sede da Junta de Freguesia, em S. Martinho, Escola da Quelha em S. Salvador, e sede da extinta junta de S. Mamede de Negrelos.

As mesas de voto abriram às 09:00 horas e o pico de afluência deu-se logo após a missa dominical, às 12:00.

No total acorreram 1.551 de um total de 6.809 habitantes habilitados a votar.

Em antevisão a esta eleição, o presidente da união de freguesias, Marco Cunha, apontava como «muito otimista» uma adesão abaixo dos 25/30%, já que em votações nacionais a média não é muito superior, pelo que se manifestou «muito satisfeito» com a resposta final.

O autarca destacou a colaboração de «mais de 40 pessoas» que «de forma voluntária e completamente apartidária» ajudaram nesta consulta e por volta das 18:00, depois do fecho das urnas, fez, em declarações à Lusa, «um balanço muito positivo da iniciativa».

Num ato que «destapou» rivalidades antigas - os moradores das zonas menos povoadas, uma vez que só Campo tem quase metade dos eleitores da união de freguesias com 3.162 habitantes «contra» 1.844 em Negrelos e 1.039 em S. Salvador - «ganhou», disse Marco Cunha, «a população e a cidadania».

Mas esta consulta pública reacendeu outra polémica: pelo chão ainda se viam hoje reproduções de boletins de voto com uma cruz como incentivo à anulação, distribuídos ao longo da semana pela estrutura local do PCP, que se manifestou contra a iniciativa, alegando que «o povo deve é lutar pela desagregação».

Ora, feitas as contas, houve 5% de votos nulos, constando mensagens como «S.Martinho sempre!» ou «Negrelos até morrer!».

O novo nome terá de ser agora ratificado em reunião de executivo e remetido para a Assembleia de Freguesia, Assembleia Municipal e Assembleia da República.