Um inspetor da Polícia Judiciária (PJ) afirmou esta quarta-feira, em tribunal, que o local onde apareceu morto o presidente de uma associação de solidariedade social, em Santo Tirso, Porto, foi “previamente escolhido” pelos suspeitos.

Em audiência de julgamento, realizada hoje no Tribunal de Matosinhos, o inspetor acrescentou que o corpo da vítima mortal foi encontrado “completamente carbonizado” dentro de um carro, tendo sido fogo posto e não acidental.

Em outubro de 2014, o dirigente de uma associação de solidariedade social, em Santo Tirso, foi encontrado morto dentro de um carro, no Alto da Nossa Senhora da Assunção, Monte Córdova, localizado neste concelho.

O Ministério Público (MP) acusou três pessoas – dois ex-utentes da associação e o presidente de uma outra instituição em Santo Tirso - pela prática dos crimes de homicídio qualificado, profanação de cadáver e roubo.

De acordo com a acusação, “um dos arguidos, então presidente de uma associação com sede em Santo Tirso que acolhe pessoas sem-abrigo, ajuda pessoas com problemas aditivos, seropositivos e outras pessoas desfavorecidas ou vulneráveis, decidiu tirar a vida ao presidente de uma outra associação, com o mesmo objetivo e também com sede em Santo Tirso”. Agiu deste modo, acrescenta, “para assim acabar com a rivalidade e concorrência que este protagonizava”.

O arguido atuou com a colaboração de dois utentes da associação a que a vítima presidia, também eles “com ressentimentos anteriores”, refere.

Um utente da associação que a vítima liderava realçou que, após o crime, dois colegas mudaram de comportamento, aparecendo com mais dinheiro e estando sempre juntos e com "conversas".

No início do julgamento, os alegados homicidas falaram para apresentar versões diferentes dos factos.