O comandante distrital de Operações de Socorro de Santarém admitiu, nesta terça-feira, que a gestão das descargas das barragens portuguesas e espanholas deve permitir manter o rio Tejo “dentro das margens”, permanecendo, contudo, a possibilidade de ocorrência de cheia.

Mário Silvestre disse à agência Lusa que, tendo as barragens espanholas debitado às 08:00 cerca de mil metros cúbicos de água por segundo, foi acertado com a EDP Produção que as barragens portuguesas mantenham caudais estáveis e não descarreguem para o Tejo mais que 1.600 metros cúbicos por segundo, permitindo que o rio permaneça "dentro das margens".

Segundo o comandante, a barragem de Castelo do Bode encontra-se com a sua capacidade de armazenamento em 97%.

Mário Silvestre adiantou que não existe informação de qualquer povoação isolada ou via cortada devido a galgamento das margens do Tejo, admitindo que possam existir alguns alagamentos provocados por afluentes ou pela saturação dos solos.

Questionado sobre o histórico da ocorrência de uma situação do género nesta altura do ano, o comandante afirmou ser preciso recuar ao final dos anos 1940, início de 1950, para encontrar referências a uma cheia em maio, na altura com maiores dimensões do que os valores registados nesta altura.

Há dois anos, registou-se uma subida das águas do rio em abril, recordou.

A Proteção Civil mantém as recomendações às populações para que retirem das zonas normalmente inundáveis equipamentos agrícolas, industriais, viaturas e outros bens e que levem os animais para locais seguros, retirando os rebanhos que se encontram nas zonas inundáveis.

É ainda recomendado que não sejam atravessadas estradas ou zonas alagadas com viaturas ou a pé.