O Hospital de Santa Maria considerou esta segunda-feira que deu «o melhor encaminhamento» a uma doente ferida numa mão que tinha sido transferida de Faro para Lisboa para ser operada, mas acabou por regressar a Faro sem o procedimento realizado.

Em causa está o caso de uma mulher, de 43 anos, que a 20 de julho se feriu numa mão e foi atendida no Centro Hospitalar do Algarve (CHA), sendo depois enviada do Hospital de Faro para Santa Maria porque a equipa que a atendeu considerou que precisava de intervenção cirúrgica, segundo informações veiculadas pela comunicação social.

O Hospital de Santa Maria observou a utente e, depois, reencaminhou-a de novo para Faro, para mais tarde ser operada pela equipa de cirurgia plástica, de acordo com a informação publicada segunda-feira pelo «Correio da Manhã».

Questionado pela Lusa, o CHA responde que não dá esclarecimentos sobre casos em concreto, reservando as explicações para a utente, mas frisou que, quando a unidade «não disponha de capacidade técnica para realizar a intervenção clínica necessária, procede-se à transferência do doente para a unidade de referência adequada, a qual assume a total responsabilidade pelo seu tratamento».

Numa nota escrita enviada à agência Lusa, o Centro Hospitalar de Lisboa Norte, ao qual o Hospital de Santa Maria pertence, explicou que a doente em causa «deu entrada no CHLN pelas 3h10m de 21 de julho, transferida pelo Hospital de Faro - Centro Hospitalar do Algarve, por suspeita de ferida complicada no dorso da mão».

A mesma fonte precisou que a doente foi observada pela Cirurgia Plástica, que «considerou não haver razão para intervenção urgente, em virtude da existência de uma alteração da sensibilidade da base do polegar, que poderia apenas estar relacionada com as feridas superficiais existentes».

«Em virtude da existência do Serviço de Cirurgia Plástica no Hospital de Faro, a equipa em funções no CHLN optou por, e após contacto com o chefe de equipa de Cirurgia de Faro, transferir a doente para aquele hospital, na condição da sinistrada ser reavaliada pela Cirurgia Plástica local, até porque, a eventual existência de lesão neurológica apenas da sensibilidade, por si só, não justificaria qualquer tipo de intervenção cirúrgica», justificou.

O CHLN considerou que deu assim «o melhor encaminhamento à doente em causa» e que ¿não se revê¿ nas notícias veiculadas pela imprensa, porque «a situação não era emergente e a doente foi, conforme protocolado, transferida para o Hospital da sua área de residência».

Esta transferência permite, segundo o CHLN, que a doente seja «tratada com qualidade e dentro da proximidade do lar, o que se considera uma mais-valia para a célere recuperação», escreve a Lusa.