As urgências noturnas de Lisboa das especialidades médicas de Psiquiatria e Oftalmologia vão passar a estar concentradas, a partir de 2 de setembro, nos hospitais de Santa Maria e São José, informou hoje a autoridade de Saúde.

Em comunicado, a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) refere que a segunda fase da reorganização das urgências noturnas de Lisboa começa a 2 de setembro, nos hospitais de Santa Maria e São José, «com a concentração das especialidades de Psiquiatria e Oftalmologia».

A ARSLVT adianta, sem precisar o dia, que, numa terceira fase, a decorrer entre outubro e novembro, serão concentradas, também em São José e Santa Maria, as urgências noturnas das especialidades de Urologia e Cirurgia Vascular.

A ARSLVT acrescenta que, até ao fim do ano, «trabalhará juntamente com os hospitais na avaliação das urgências das especialidades de Cirurgia Plástica, Cirurgia Maxilo-Facial, Neurologia, Gastrenterologia, Cardiologia de Intervenção e Cirurgia Cardíaca».

Segundo a ARSLVT, contactada pela Lusa, a reorganização das urgências noturnas de Lisboa abrange os hospitais de São José, Santa Maria, São Francisco Xavier (Lisboa) e Garcia de Orta (Almada).

Na nota, a entidade justifica a reorganização, iniciada numa primeira fase, há um ano, com a concentração da especialidade de Otorrinolaringologia no Hospital de Santa Maria, com a falta de médicos com menos de 50 anos e com «casuística baixa» de atendimentos noturnos em certas especialidades.

A ARSLVT assegura que a reorganização «não implica encerramentos de serviços de urgência nos restantes hospitais», devendo os utentes «recorrer à urgência a que habitualmente se dirigem na área da sua residência».

A autoridade de saúde sublinha que «todos os serviços de urgência da região de Lisboa continuarão a ter a mesma capacidade de atendimento para a generalidade das situaçõesa clínicas emergentes ou urgentes».

No comunicado, a ARSLVT assegura que, «durante o período diurno, não existirão alterações no quadro das especialidades disponíveis nos hospitais» da Grande Lisboa com serviço de urgência, sustentando que «houve amplo debate com os responsáveis dos hospitais envolvidos na reorganização».

A ARSLVT realça, ainda, que, neste processo, foram criadas comissões coordenadoras de especialidades, que agregam especialistas de todos os hospitais envolvidos.

A Ordem dos Médicos tem alegado desconhecimento da reforma e lamentado o facto de não ter sido consultada.

Os colégios das especialidades de Urologia, Cirurgia Plástica, Cirurgia Maxilo-Facial e de Neurologia enviaram à Ordem pareceres em que levantam dúvidas quanto à funcionalidade e poupança económica da reforma das urgências noturnas de Lisboa.

Os médicos criticaram também o facto de esta reforma não ter sido precedida de um debate informado com as várias especialidades envolvidas e lamentaram não terem sido envolvidos, nem tão pouco consultados sobre o processo.