Em Lisboa, os hospitais de São José e Santa Maria têm desde ontem as urgências abertas à noite, revela o Diário de Notícias.

Em causa, estarão queixas sobre tempos de espera muito elevados e a falta de resposta em determinadas especialidades. A decisão surge 10 meses depois da nova urgência metropolitana de Lisboa estar centrada num único hospital. Num mês funcionava o hospital Santa Maria, no outro o de São José.

Para além destas duas unidades hospitalares, também poderá abrir durante a noite, uma urgência metropolitana no Hospital Garcia de Orta, em Almada.

A Administração Regional de Saúde já confirmou que as urgências noturnas de sete especialidades em Lisboa estão desde terça-feira disponíveis permanentemente.

A nota da ARS de Lisboa e Vale do Tejo, enviada à comunicação social às 23:57 de terça-feira, refere que as alterações, que entraram em vigor nesse mesmo dia, «traduzem-se na reorganização das regras de referenciação, do INEM e entre hospitais, para os doentes identificados nas especialidades de oftalmologia, psiquiatria, otorrinolaringologia, urologia, cirurgia plástica, cirurgia maxilo-facial e cirurgia vascular».

Em declarações à agência Lusa, o presidente da ARS de Lisboa e Vale do Tejo, Luís Cunha Ribeiro, fez um balanço positivo das alterações introduzidas, mas justifica as novas mudanças com a «diminuição» do número de doentes transferidos.

Esta diminuição deveu-se, segundo Luís Cunha Ribeiro, aos «critérios clínicos» entretanto criados e que terão levado alguns doentes a permanecerem nos hospitais da sua referência, evitando assim a sua transferência.

A 13 de setembro do ano passado, onze dias após ter arrancado a segunda fase da reorganização da Urgência Metropolitana de Lisboa (UML), com as especialidades de psiquiatria e oftalmologia, o Ministério da Saúde tinha avançado com dados opostos.

Segundo o Ministério da Saúde, registou-se um acréscimo diário de atendimentos, quer na especialidade de oftalmologia, quer na de psiquiatria.

«A concentração de urgências representou assim um acréscimo de sete doentes/dia para os serviços» daquelas duas unidades (Centro Hospitalar de Lisboa Norte e Centro Hospitalar de Lisboa Central), acrescentava a nota do Ministério da Saúde.

Apesar da mudança que entrou terça-feira em vigor, a ARS refere que o modelo aplicado em setembro do ano passado, foi «um bom modelo organizacional, com inegáveis ganhos para o cidadão».

«Cumpre introduzir melhorias neste modelo, tornando-o ainda mais acessível, equitativo e capaz de responder às necessidades dos cidadãos, à evolução esperada de fatores intervenientes no sistema e prepará-lo para novos desafios, nomeadamente uma resposta coordenada e integrada ao doente traumatizado grave», lê-se na nota da ARS.

A reestruturação da oferta de serviços de urgência na região pressupõe a implementação de dois polos fixos permanentes de UML (especialidades de oftalmologia, psiquiatria, otorrinolaringologia, urologia, cirurgia plástica, cirurgia máxilo-facial e cirurgia vascular), no CHLN e no CHLC, que são, simultaneamente, os dois centros de trauma da região de Lisboa e Vale do Tejo.

«Desta forma aumenta-se o acesso a serviços de urgência diferenciados, a equidade no tratamento dos doentes e dá-se um passo significativo na melhoria da abordagem dos doentes traumatizados graves, com a constituição formal de dois centros de trauma», prossegue o comunicado.

A ARS refere que «as escalas desses dois polos são elaboradas e asseguradas pelos elementos desses centros hospitalares».