Os pais do adolescente morto em maio de 2015, em Salvaterra de Magos, exigem 280.000 euros de indemnização ao acusado do homicídio, disse esta quinta-feira à agência Lusa a advogada da família da vítima.

Ilda Esperança, mandatária dos pais de Filipe Diogo, que morreu com 14 anos, explicou que estes se constituíram assistentes no processo e que avançaram com um pedido de indemnização civil de 280.400 euros, que já foi admitido pelo Ministério Público.

O acusado da autoria do crime, Daniel Neves, atualmente com 18 anos, começa a ser julgado a 4 de abril na Instância Central Criminal de Santarém, por homicídio qualificado e profanação de cadáver.

No despacho de pronúncia, a que a Lusa teve acesso, o juiz de instrução criminal refere que o jovem matou Filipe Diogo “motivado pelo seu gozo pessoal” e pelo “desejo” de ficar com um telemóvel, peças de roupa e ténis que pertenciam à vítima.

A pronúncia sustenta que Daniel Neves matou "por motivos insignificantes, manifestando prazer em quebrar regras e assumir condutas criminosas”.

O despacho de pronúncia conta que, entre as 20:00 e as 21:57 de 11 de maio, Daniel Neves se encontrou com Filipe Diogo no 4.º andar de um prédio na rua António Paulo Cordeiro, em Salvaterra de Magos, ao qual o arguido tinha acesso e que designava por ‘spot’.

"Quando ambos se encontravam no interior do referido ‘spot’, o arguido muniu-se de um tubo de metal com cerca de 63 centímetros, pesando cerca de um quilograma e com uma faixa de borracha preta numa das extremidades, e desferiu diversas e violentas pancadas no corpo de Filipe Diogo, atingindo-o diversas vezes na zona da cabeça”, refere o juiz.

Pelas 14:30 de 13 de maio, dois dias após o crime, acrescenta, o arguido dirigiu-se novamente ao apartamento, “onde deixara e onde jazia o corpo da vítima” e, “arrastando-o pelas escadas do prédio, colocou-o no sótão aí existente, local que sabia não ser frequentado pelos moradores do prédio -, após o que o cobriu com plásticos, cartões e madeiras aí existentes, dissimulando-o".

Daniel Neves mantém-se em prisão preventiva num estabelecimento prisional para jovens, em Leiria, com base na existência de perigo de continuação da atividade criminosa.