Utentes da extensão de saúde de Salto, em Montalegre, queixam-se da falta de médico, uma situação que se arrasta há meses e que obriga algumas pessoas a deslocarem-se ali às 05:00 para conseguirem consulta.

«O problema é que estamos sem médico porque ele adoeceu e está de baixa. Ficamos aqui, um número tão elevado de utentes, sem médico há tanto tempo», afirmou aos jornalistas Marizete Gago, utente de 65 anos.

Para alertaram para a falta de médicos nesta freguesia do concelho de Montalegre, distrito de Vila Real, cerca de 30 pessoas concentraram-se esta manhã em frente à extensão de saúde.

O presidente da Junta de Freguesia local, Alberto Martins, explicou que o único médico daquela unidade de saúde tirou férias em setembro e entrou depois em baixa, deixando os cerca de 1.500 utentes sem médico durante cerca de dois meses.

Entretanto, explicou, provisoriamente dois médicos do centro de saúde de Montalegre deslocam-se à quarta-feira, um de manhã e outro de tarde, para dar consultas nesta unidade de saúde. Segundo o autarca, cada um deles dá 10 consultas. Só que, para Marizete Gago, esta solução «não é suficiente».

«Não é suficiente porque somos cerca de 1.500 utentes e isso não chega a nada. Ainda por cima com um inverno tão frio como tem sido, com a gripe. A maior parte da população é muito idosa, muitos nem transporte têm, nem dinheiro sequer para se deslocarem ao centro de saúde de Montalegre».


Esta utente acrescentou que se criou uma «situação caótica» porque um dos médicos faz as consultas por ordem de chegada. «Já houve utentes que, para arranjarem o documento para fazerem exames, vieram para aqui às 05:00», sustentou.

Martinha Figueira, 37 anos, é mãe de três filhos e diz que tem que ir a Montalegre, a cerca de 40 quilómetros de distância, para conseguir consulta para as crianças.

«É um incómodo muito grande para os idosos e para as pessoas que não têm transportes para ir ao médico. É muito longe ir a Montalegre. Os ordenados são muito baixos e ir para lá é muita despesa».


Os utentes de Salto, freguesia com 20 aldeias e com 80 quilómetros quadrados, reivindicam um médico a tempo inteiro para a extensão de saúde.

Na sexta-feira, aquando de uma visita do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, a Salto, uma mulher aproveitou para exibir um cartaz onde alertava para o facto de «mil utentes estarem sem médico há dois meses».

Na segunda-feira, também os deputados do PS eleitos pelo distrito de Vila Real, Ivo Oliveira e Agostinho Santa, questionaram o Governo, através de uma pergunta entregue na Assembleia da República, sobre a falta de médico de família em Salto.
 

«Há cerca de dois meses, o médico com presença quotidiana na localidade tirou licença sem vencimento, devido a motivos de saúde. Desde então, os utentes têm de se deslocar ao centro de saúde de Salto às cinco horas da manhã para marcarem a sua vez, sendo que muitos ficam sem atendimento».


Para os parlamentares, «é importante que o Governo tome consciência da falta de equidade de acesso aos cuidados de saúde que existe a nível territorial, provocado pelo encerramento de serviços e extensões de saúde, agravado pela falta de transportes públicos nas aldeias e vilas do interior do país».

Por isso mesmo, os deputados pretendem saber «para quando a reposição da normalidade nas consultas em Salto».